Surpreendente decisão do Fed? Não achamos...
Analistas estão confundindo aumento no preço dos imóveis e das ações com uma recuperação real da economia norte-americana. Esse aumento é causado pelo excesso de dinheiro “injetado” e não por uma real demanda
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
Na semana passada, o Federal Reserve (FED) anunciou que manterá o programa de QE (Afrouxamento Quantitativo) intacto, ou seja, juros variando entre 0 e 0,25% aa e um programa de recompra de bônus de US$ 85 bi/mês.
O anúncio foi uma surpresa para quase todo mercado, que apostava em uma redução no nível de recompra de bônus entre US$ 5 e 15 bilhões/mês. Acreditamos que fomos os únicos a apostar que o FED manteria o seu programa. A aposta rendeu ótimos frutos para nossos fundos – o Clube de Ações subindo mais de 20% esse mês, enquanto o Fundo Multimercado em alta mais de 10%. Sem dúvida, uma das melhores rentabilidades entre fundos no mundo inteiro.
Como já dito inúmeras vezes e nossos cotistas bem sabem, esse programa do FED é o que tem sustentado a economia americana. O Banco Central dos EUA não pode dizer claramente que o sustento da economia norte-americana é o seu programa de QE. Logo, o FED dirá sempre que a economia vai bem, que o desemprego está caindo e que começará a diminuir os estímulos à economia. Apesar de serem apenas “falas” e não ações concretas. Devido à falta de comunicação do FED muitos analistas financeiros acreditavam em uma diminuição de estímulos à economia dos EUA na semana passada.
Penso que os analistas estão confundindo aumento no preço dos imóveis e das ações com uma recuperação real da economia norte-americana. Esse aumento é causado pelo excesso de dinheiro “injetado” – e, consequentemente, seu valor é afetado – não por uma real demanda.
Temos observado o mercado de trabalho mais fraco, com milhões de pessoas fora da população economicamente ativa e os empregos criados são, em sua maioria, os de meio-horário e em setores pouco produtivos.
Não conseguimos enxergar uma saída fácil dessa bagunça keynesiana. Foi fácil entrar nessa onda de estímulos, mas será impossível sair sem um impacto forte nos preços dos ativos e sem levar a economia americana (e, provavelmente, a mundial) à recessão.
Caso o preço dos ativos continue a subir e o desemprego cair (devido principalmente ao abandono do mercado de trabalho), o FED estará em uma verdadeira “sinuca de bico”. Como explicar o porquê de não retirar os estímulos, sendo que essa era a sua porta de saída (melhoria no mercado de trabalho)? Será um momento bastante peculiar ver quais serão as explicações.
Isso porque, se o FED retirar os estímulos, a economia volta para a recessão. Se ele continuar, vão empurrar a recessão com a barriga para um pouco mais longe, porém com consequências mais desastrosas.
Não tem como a economia se recuperar com juros muito baixos. O fato é que juros baixos não ajudam a economia, somente atrapalham a alocação de capital, que precisa procurar melhores retornos trazendo também um risco maior. E o governo continua se endividando, já que, com juros baixos, não há incentivos para um controle de gastos.
Estamos convictos de nossa posição e sabemos que a economia só está sobrevivendo graças aos estímulos do FED. Ainda assim, se o Federal Reserva tivesse anunciado uma diminuição nas compras de bônus na quarta-feira, isso não seria algo bom – os estímulos continuariam a um ritmo muito elevado. É importante saber dessa distinção: o FED não estaria parando de comprar bônus nem mesmo perto de vendê-los; estaria somente comprando um pouco menos. Isso é preocupante, embora o mercado enxergasse com bons olhos. Se você está correndo e diminui o ritmo de aceleração, não quer dizer que vai parar, nem mesmo diminuir a velocidade, mas que continuará aumentando. O mesmo com o balanço do FED, responsável pela maior parte da compra de bônus do governo norte-americano.
Essa bolha gerada pelo FED nos ativos no mundo inteiro está à beira de uma correção. Quando investidores do mundo todo descobrirem que o FED não tem uma estratégia de saída de seu programa de estímulos e que a dita recuperação da economia não é sustentável (na verdade, não há recuperação, só um senso falso de riqueza causado pelo aumento nos preços dos ativos), os preços dos ativos vão se ajustar e de uma forma muito brusca.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247