Surpreendente decisão do Fed? Não achamos...

Analistas estão confundindo aumento no preço dos imóveis e das ações com uma recuperação real da economia norte-americana. Esse aumento é causado pelo excesso de dinheiro “injetado” e não por uma real demanda



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Na semana passada, o Federal Reserve (FED) anunciou que manterá o programa de QE (Afrouxamento Quantitativo) intacto, ou seja, juros variando entre 0 e 0,25% aa e um programa de recompra de bônus de US$ 85 bi/mês.

O anúncio foi uma surpresa para quase todo mercado, que apostava em uma redução no nível de recompra de bônus entre US$ 5 e 15 bilhões/mês. Acreditamos que fomos os únicos a apostar que o FED manteria o seu programa. A aposta rendeu ótimos frutos para nossos fundos – o Clube de Ações subindo mais de 20% esse mês, enquanto o Fundo Multimercado em alta mais de 10%. Sem dúvida, uma das melhores rentabilidades entre fundos no mundo inteiro.

Como já dito inúmeras vezes e nossos cotistas bem sabem, esse programa do FED é o que tem sustentado a economia americana. O Banco Central dos EUA não pode dizer claramente que o sustento da economia norte-americana é o seu programa de QE. Logo, o FED dirá sempre que a economia vai bem, que o desemprego está caindo e que começará a diminuir os estímulos à economia. Apesar de serem apenas “falas” e não ações concretas. Devido à falta de comunicação do FED muitos analistas financeiros acreditavam em uma diminuição de estímulos à economia dos EUA na semana passada.

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Penso que os analistas estão confundindo aumento no preço dos imóveis e das ações com uma recuperação real da economia norte-americana. Esse aumento é causado pelo excesso de dinheiro “injetado” – e, consequentemente, seu valor é afetado – não por uma real demanda.

Temos observado o mercado de trabalho mais fraco, com milhões de pessoas fora da população economicamente ativa e os empregos criados são, em sua maioria, os de meio-horário e em setores pouco produtivos.

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Não conseguimos enxergar uma saída fácil dessa bagunça keynesiana. Foi fácil entrar nessa onda de estímulos, mas será impossível sair sem um impacto forte nos preços dos ativos e sem levar a economia americana (e, provavelmente, a mundial) à recessão.

Caso o preço dos ativos continue a subir e o desemprego cair (devido principalmente ao abandono do mercado de trabalho), o FED estará em uma verdadeira “sinuca de bico”. Como explicar o porquê de não retirar os estímulos, sendo que essa era a sua porta de saída (melhoria no mercado de trabalho)? Será um momento bastante peculiar ver quais serão as explicações.

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Isso porque, se o FED retirar os estímulos, a economia volta para a recessão. Se ele continuar, vão empurrar a recessão com a barriga para um pouco mais longe, porém com consequências mais desastrosas.

Não tem como a economia se recuperar com juros muito baixos. O fato é que juros baixos não ajudam a economia, somente atrapalham a alocação de capital, que precisa procurar melhores retornos trazendo também um risco maior. E o governo continua se endividando, já que, com juros baixos, não há incentivos para um controle de gastos.

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Estamos convictos de nossa posição e sabemos que a economia só está sobrevivendo graças aos estímulos do FED. Ainda assim, se o Federal Reserva tivesse anunciado uma diminuição nas compras de bônus na quarta-feira, isso não seria algo bom – os estímulos continuariam a um ritmo muito elevado. É importante saber dessa distinção: o FED não estaria parando de comprar bônus nem mesmo perto de vendê-los; estaria somente comprando um pouco menos. Isso é preocupante, embora o mercado enxergasse com bons olhos. Se você está correndo e diminui o ritmo de aceleração, não quer dizer que vai parar, nem mesmo diminuir a velocidade, mas que continuará aumentando. O mesmo com o balanço do FED, responsável pela maior parte da compra de bônus do governo norte-americano.

Essa bolha gerada pelo FED nos ativos no mundo inteiro está à beira de uma correção. Quando investidores do mundo todo descobrirem que o FED não tem uma estratégia de saída de seu programa de estímulos e que a dita recuperação da economia não é sustentável (na verdade, não há recuperação, só um senso falso de riqueza causado pelo aumento nos preços dos ativos), os preços dos ativos vão se ajustar e de uma forma muito brusca.

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