Subproduto chinês

A próxima década poderá render ao Brasil o respeito e a confiança das demais nações, e não dependeremos tanto das exportações



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Nenhum dos dois candidatos à presidência dos EUA está preocupado com a América Latina e muito menos com o Brasil.

Encerram suas manifestações dizendo que a China explora o continente e se vale dos países periféricos para aumentar suas reservas e os próprios recursos.

Entramos na 6ª economia do planeta, mas, mesmo assim, não somos reconhecidos e, comparativamente, a nossa situação não incomoda e sequer resvala nas grandes potências.

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Cada vez mais os mercados se fecham e o protecionismo prevalece, indicando que a globalização não oferece almoço de graça.

A imperturbabilidade do regime americano, apesar do déficit de contas e  situação do forte desemprego, não interfere na posição dos demais países emergentes ou em desenvolvimento.

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Cada vez mais a América para os americanos quer significar que os EUA se propõem a resolver suas desavenças domésticas e manter forte poderio militar, quando ameaçado em todos os continentes.

É bem verdade que, na última década, não nos empenhamos em manter estreito contato com o mercado americano, mas sim com Europa e Ásia, o que indicou uma nova tendência da política econômica brasileira.

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Entretanto, um traço fundamental que tornou mais distante as relações entre os países foi a crise do subprime no segundo semestre de 2008, com a quebra de bancos e a grave situação das hipotecas, diante da falta de regulamentação do mercado, com nuances na Europa, formando, assim, o paradoxo da crise global.

Estamos nos empenhando para, em 2013, apresentar um crescimento muito maior e compatível com os empregos e a taxa de juros.

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No aspecto fundamental, o teste decisivo será feito em 2013, para sabermos se a redução da taxa de juros incrementou a economia e o câmbio permitiu maior negociação com os países avançados.

Enquanto o momento permite destacar o comércio local, houve um aumento do número de pedidos de recuperação judicial e, igualmente, de falências, a refletir uma turbulência sazonal na liquidez do crédito e dos empréstimos.

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Agora se pensa na reestruturação financeira das micro e pequenas empresas por meio de fundos capitalizados por grandes companhias e aportes de bancos, o que ensejaria um campo de manobra favorável e a dispensa da busca de recursos em bancos ou empresas de faturização.

A questão do acesso ao crédito ainda precisa ser melhor trabalhada, enquanto o parlamento ainda analisa uma nova legislação sobre as empresas de faturização.

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O nó górdio da economia se hospeda na infraestrutura de portos e aeroportos e das estradas que estão abarrotadas de veículos, cujos congestionamentos provocam gastos supérfluos de combustíveis e poluição acima da média.

Ganhamos musculatura com os eventos internacionais e aprendemos ser mais eficazes no cumprimento dos programas, os estádios estão ficando pronto e agora nos resta a situação das ferrovias, a implantação de trens, não apenas no espaço urbano, mas, sobretudo, no lastro das cidades e para os lugares mais procurados.

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E se conseguirmos fazer a lição de casa, com maior responsabilidade e economia de recursos, teremos uma década para frente ganha, e não perdida.

Com todos os modelos que revolucionam a tecnologia e o enfrentamento de barreiras, sairemos do atraso secular e não seremos mero subproduto dos mercados desenvolvidos, mas geraremos uma fonte de absorção a ser procurada, insistente e permanentemente, pelos países do primeiro mundo.

Em suma, a próxima década poderá render ao Brasil o respeito e a confiança das demais nações, e não dependeremos tanto das exportações, já que seremos o celeiro dos alimentos em condições de investimentos fortes nos terrenos produtivos.

Um novo amanhã depende apenas de nós para que o conceito de subproduto da China fique na lembrança do governo americano, o qual não se importa com a América, e sim, em ser o seu único e exclusivo dono.

Carlos Henrique Abrão é Magistrado em 2º Grau Tribunal de Justiça de São Paulo

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