Singer: Lula não cumpriu o 'sonho rooseveltiano'
O jornalista e cientista político André Singer admite que falhou numa profecia feita no passado, quando previu que os governos Lula e Dilma cumpririam um 'sonho rooseveltiano' no Brasil; "Em resumo, tratava-se da possibilidade de integrar, em curto espaço de tempo, as grandes maiorias a padrões civilizados de vida material, com aumento substantivo da igualdade. Passados quase cinco anos daquele momento otimista, sou obrigado a reconhecer que o desejo não se cumpriu", diz ele; "o salto a um país realmente de classe média parece que ficará para outra quadra, com outra correlação de forças"
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247 - No artigo Sonho suspenso, publicado neste sábado, o jornalista e cientista político André Singer admite ter falhado em uma profecia.
"No auge da popularidade do lulismo, a qual possibilitou a eleição de Dilma Rousseff em 2010, publiquei ensaio na revista 'Piauí' em que sugeria a ideia de que um sonho rooseveltiano havia tomado conta do Brasil. Em resumo, tratava-se da possibilidade de integrar, em curto espaço de tempo, as grandes maiorias a padrões civilizados de vida material, com aumento substantivo da igualdade. Passados quase cinco anos daquele momento otimista, sou obrigado a reconhecer que o desejo não se cumpriu", diz ele.
Uma das evidências disso, diz Singer, é o fato de o trabalho doméstico, que vinha declinando, ter voltado a crescer no Brasil. "O processo de mudança lenta que o lulismo abriu entre 2004 e 2010 não se acelerou o suficiente de maneira a tornar residual a modalidade de serviço que é considerada um castigo pelas camadas populares. É verdade que, em 2010, o Brasil era, segundo a Organização Internacional do Trabalho, o país com maior número de empregados domésticos do mundo, na casa dos 7 milhões. Ou seja, para absorver tal contingente em outras atividades teria sido necessário que o primeiro mandato de Dilma aumentasse de maneira expressiva a geração de vagas nos setores mais modernos e de maior remuneração."
Ele afirma, ainda, que seu sonho não será realizado no curto prazo. "O lulismo não se revelou, até aqui, capaz de ultrapassar a exploração de brechas existentes na armação neoliberal. Em condições mundiais favoráveis, usou, com inegável habilidade, os espaços de não confronto para melhorar a vida dos pobres, o que confirma a minha tese principal. Porém o salto a um país realmente de classe média parece que ficará para outra quadra, com outra correlação de forças."
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