Silva e Luna diz que não vai abandonar comando da Petrobrás durante 'batalha' envolvendo preços

Joaquim Silva e Luna vem sendo pressionado por Jair Bolsonaro e seus aliados para entregar o cargo em função do mega-aumento dos preços dos combustíveis pela estatal

Presidente da Petrobrás, Joaquim Silva e Luna
Presidente da Petrobrás, Joaquim Silva e Luna (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


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Rodrigo Viga Gaier, Reuters - O presidente da Petrobrás, o general da reserva Joaquim Silva e Luna, disse que não deixará a companhia em um momento em que comparou com uma "batalha", apesar de cobranças e críticas que vieram de dentro e fora do governo por conta da alta de cerca de 25% no diesel da estatal, na última semana.

"Sou soldado. O campo de batalha é a minha zona de conforto. Não fujo do campo de batalha, abandonando a minha tropa. Um homem tem que fazer o que um homem tem que fazer", disse Luna à Reuters.

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"Não há crise", adicionou.

Luna assumiu o comando da empresa no ano passado depois do desgaste do então presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, com o presidente Jair Bolsonaro causado pela política de preços da estatal.

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Sob o comando de Luna, a política de preços voltou a ser questionada, especialmente após o reajuste do diesel, enquanto a gasolina da Petrobrás nas refinarias subiu quase 19% também na última sexta-feira, para refletir a disparada nas cotações do petróleo diante das consequências da guerra na Ucrânia.

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A pressão sobre Luna ocorre apesar de a empresa agora promover ajustes mais espaçados, sem repassar a volatilidade dos mercados de petróleo imediatamente. Ainda assim, os combustíveis têm impulsionado fortemente a inflação, vista agora acima de 6% em 2022.

Embora o ajuste da semana passada tenha sido elevado, ainda há uma defasagem nos preços internos em relação aos valores internacionais, após o petróleo Brent disparar mais de 35% no acumulado do ano com a guerra na Ucrânia e sanções dos Estados Unidos e outros países à Rússia.

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"A empresa está sensível às dificuldades da população. A sociedade está machucada por duas guerras, primeiro a Covid e essa de agora. O aumento era uma questão de necessidade porque senão poderia haver risco de desabastecimento (a partir de abril)", disse Luna.

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A Petrobrás atende mais de 70% do mercado de derivados e o restante é abastecido por empresas privadas.

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Se os preços se mantêm internamente abaixo dos praticados no exterior, importadores deixam de comprar produtos e colocam em risco o abastecimento, explicou Luna.

Antes do aumento da semana passada, reuniões entre Petrobrás e representantes do governo aconteceram em Brasília, com técnicos concordando com a necessidade do reajuste para amenizar a defasagem e reduzir riscos de abastecimento.

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Os ajustes motivaram críticas da oposição, como no caso dos presidenciáveis Ciro Gomes (PDT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mas também o próprio presidente Bolsonaro lamentou que a empresa tenha ajustado os preços antes de serem aprovados projetos de lei que podem amenizar as cotações dos derivados.

Após aprovação no Congresso, Bolsonaro sancionou integralmente, na sexta-feira, o projeto que altera a cobrança do ICMS sobre os combustíveis.

O presidente ainda criticou no final de semana os lucros elevados da Petrobrás.

Dias antes, o governo indicou novos nomes para o conselho de administração da estatal, inclusive com mudança na presidência do colegiado.

O indicado para presidir o conselho foi o presidente do Flamengo e ex-executivo da Petrobrás, Rodolfo Landim, que é próximo ao presidente Bolsonaro.

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