Resultado de auditoria comprova injustiças cometidas contra o BNDES, diz ex-presidente do banco
"Depois de consultar mais de três milhões de mensagens, e-mails, ligações telefônicas, mais de 400 mil documentos e de ter ouvido dezenas de pessoas, a auditoria não detectou nenhum sinal de comportamentos ilícitos que estivessem de alguma maneira relacionados à corrupção ou a favorecimento" disse o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho
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247 - Para o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Luciano Coutinho, que presidiu o banco de fomento entre 2007 e 2016, a auditoria externa feita na instituição acerca das operações envolvendo a JBS “pôs a nu as injustiças” cometidas contra a instituição e seus funcionários.
“Depois de consultar mais de três milhões de mensagens, e-mails, ligações telefônicas, mais de 400 mil documentos e de ter ouvido dezenas de pessoas, a auditoria não detectou nenhum sinal de comportamentos ilícitos que estivessem de alguma maneira relacionados à corrupção ou a favorecimento, ou ainda ingerência indevida nos processos da instituição” disse Coutinho em entrevista publicada nesta segunda-feira (30) pelo jornal Valor Econômico.
Apesar da auditoria da auditoria realizada pela Cleary Gottlieb, divulgado esta semana, não apontar evidências de irregularidades o Ministério Púbico Federal ingressou com uma ação de improbidade administrativa alegando que o banco teve prejuízo de R$ 4 bilhões. “Espero que essa ação de improbidade não prospere pela simples razão de falta de fundamentos. Mas não me cabe opinar. Confio na Justiça”, disse Coutinho ao ser indagado sobre o assunto.
Ainda segundo ele, os investimentos feitos pelo BNDES no setor de proteína animal sofreram uma “mudança profunda” “em termos de formalização, em termos de práticas ambientais, em termos de qualidade”. “E o fato de que você criou grandes empresas de porte global que têm papel relevante nesse setor. Não só na exportação, mas como empresas brasileiras que geram emprego de alta qualidade no país”, ressaltou.
Para Coutinho, a decisão da atual direção do BNDES de se desfazer da maior parte da carteira de ações corrobora o rumo dos investimentos feitos por ele quando esteve à frente do comando da instituição. “Me sinto à vontade porque existe um estoque de ações que podem ser vendidas com belos resultados”, disse.
Ainda segundo o economista, a possibilidade do BNDES perder a gestão do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) é uma decisão míope do atual governo. “Espero que isso [a perda do FAT] não prospere porque seria miopia confiar e, mais do que isso, um certo fundamentalismo econômico, confiar o financiamento estritamente ao mercado”, disse.
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