Restrição de recursos deve continuar afetando serviços públicos
Economistas avaliam que a restrição de recursos para gastos dos ministérios deverá continuar afetando os serviços públicos, porque há demora na retomada do crescimento econômico, com impacto negativo direto na arrecadação federal; já falta recursos para Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, faculdades e obras de infraestrutura, por exemplo; a escassez de verbas é fruto do bloqueio de R$ 39 bilhões feito no Orçamento deste ano; para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, a chamada "prévia do PIB" mostra que o nível de atividade continua fraco; "O que já não era bom, vai continuar ruim e piorando", diz Agostini
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247 - Economistas avaliam que a restrição de recursos para gastos dos ministérios deverá continuar afetando os serviços públicos, porque há demora na retomada do crescimento econômico, com impacto negativo direto na arrecadação federal.
Já falta recursos para Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, faculdades e obras de infraestrutura, por exemplo. A escassez de verbas é fruto do bloqueio de R$ 39 bilhões feito no Orçamento deste ano.
Nas duas últimas semanas, por exemplo, por falta de verbas, a Polícia Federal suspendeu a emissão de passaportes (o Congresso aprovou um projeto que libera R$ 102,3 milhões para a impressão do documento) e a Polícia Rodoviária Federal reduziu o policiamento nas estradas.
Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini (foto), a chamada "prévia do PIB", divulgada nesta semana com retração de 0,51%, mostra que o nível de atividade continua fraco.
Além disso, ele avalia que mudanças no novo Refis (programa de parcelamento do governo), introduzidas pelo Congresso, vão gerar novas perdas para a União neste ano. A previsão da Receita Federal é de que a arrecadação do governo com o programa cairia de R$ 13 bilhões para menos de R$ 500 milhões em 2017.
"É muito provável que a rigidez na execução fiscal vai continuar. Parte da receita que ele contava com concessões não aconteceu, principalmente após a delação da JBS. Tudo isso acabou complicando a gestão fiscal do país", diz Agostini em entrevista ao G1. Ele acrescenta que neste cenário não tem como o serviço público não ser comprometido. "O que já não era bom, vai continuar ruim e piorando".
Na opinião do economista Gil Castello Branco, fundador da ONG Contas Abertas, as dificuldades enfrentadas por órgãos públicos vão prosseguir. "Salvo se o governo conseguir realmente receitas extraordinárias para atenuar essa crise, que resolvem o problema desse ano".
Para ele, as restrições deverão ter continuidade também em 2018, uma vez que, com o cenário de incertezas políticas, é "quase impossível" conseguir que os empresários possam "alavancar a economia" com investimentos. Isso impedirá, na visão de Castello Branco, uma recuperação maior da arrecadação.
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