Recuperação em V está perdendo força, diz Campos Neto

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, atribuiu a recuada à incerteza de agentes em meio ao aumentos dos casos da Covid-19

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em Brasília. 07/04/2020
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em Brasília. 07/04/2020 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


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Reuters Brasil - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avaliou nesta terça-feira (15) que a recuperação econômica em formato de V do Brasil está perdendo um pouco do ímpeto, e que investir em vacinas parece ser mais barato do que prolongar programas de transferência de renda.

“Tivemos o que foi o início de uma recuperação em V, está perdendo um pouco do ímpeto agora”, afirmou ele em inglês, ao participar de evento promovido pela Eurasia Group.

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Segundo Campos Neto, esse quadro já era de certa forma antevisto pela autoridade monetária. Ele frisou que, quando o BC começou a falar a respeito, o mercado ainda era muito cético sobre a recuperação do país e que hoje as perspectivas dos agentes já são de uma contração menor do PIB para este ano, algo entre -4% e -4,4%.

De acordo com o presidente do BC, números de “soft data” --medidos a partir de avaliação qualitativa, como índices de confiança-- foram afetados nas últimas semanas pelo aumento de casos de Covid-19. Mas no geral, o BC ainda vê um formato “muito parecido com o de V” apontado pelos indicadores.

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Ele também disse, sobre o primeiro trimestre do ano que vem, que agora os agentes começam a se perguntar se o aumento recente nos casos de coronavírus irá afetar ou não a economia.

Mais cedo nesta manhã, o BC ponderou, em sua ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que a recuperação da economia no Brasil poderá ser mais gradual em função dos desdobramentos da pandemia.

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Campos Neto pontuou que o mercado está de olho na estratégia para a vacinação, em quem tem a vacina antes e na montagem da logística para imunização da população.

Sobre a volta dos investidores estrangeiros ao país, ele afirmou que já é possível ver esse retorno ao mercado, e destacou que esse movimento tende a continuar desde que o Brasil passe a mensagem certa no front fiscal.

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Nesse sentido, Campos Neto voltou a afirmar que o aumento do prêmio de risco na curva longa de juros está conectado com o quadro fiscal.

Se houver abandono do regime fiscal, o prêmio de risco associado ao Brasil irá subir e o BC terá que agir segundo o efeito desse movimento na inflação, afirmou o presidente do BC. Contudo, ele disse considerar esse cenário “altamente improvável”.

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Campos Neto avaliou que a situação frágil das contas públicas de certa forma já está precificada e que há benefício da dúvida para habilidade do governo em mudar isso.

Ele também afirmou que, a menos que a âncora fiscal do país seja deixada de lado, o Brasil não está e nem deve entrar em processo de dominância fiscal --em que a política monetária não mais consegue controlar a inflação em função da forte deterioração fiscal.

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