Que tristeza!

Os membros do Tea Party, responsáveis por este problema, estão colocando, em minha opinião, um péssimo precedente para a democracia e para o sistema legal americano



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Sempre ouvi que quando chegamos a Setembro e aos meses que acabam em “bro”, o ano acabou, de tão rápido que passa. Este ano não foi uma exceção, talvez até porque houve tantos acontecimentos no mundo e em particular nos Estados Unidos e no Brasil, que a ansiedade sobre o desfecho destes acontecimentos fez o tempo passar ainda mais rápido.

No Brasil esperamos ansiosos para saber como o Supremo Tribunal se manifestaria a respeito dos “apelos” no caso do mensalão. Com a decisão de aceitar os apelos, descobrimos que o Supremo não é Supremo. Apesar de teoricamente as decisões serem a última instância, descobrimos que como tudo no Brasil, sempre há um jeitinho, sempre há uma falha, uma interpretação para fazer com que a lei não seja cumprida. Isto significa que a impunidade é, de fato, senão o maior, com certeza entre os dois ou três maiores problemas brasileiros. Com o caso do mensalão, a impunidade tem agora uma face concreta e real que vai além da questão politica. O STF decide sobre casos econômicos e financeiros de toda natureza. Isto abre a porta para todo tipo de contestação e, portanto incerteza. Esta foi uma má decisão e que põe abaixo qualquer credibilidade que ainda restava para o sistema jurídico.

Aí vem o caso da espionagem: não vou defender a espionagem americana, mas a reação brasileira foi pobre a começar pelo cancelamento da visita da presidente, cancelamento absolutamente populista, destinado a satisfazer a audiência interna. Aí veio o discurso na abertura da ONU. Em vez de um discurso de chefe de estado, colocando a posição do Brasil em relação a guerra, intervenção em outros países, armas quimicas,  vimos uma continuação da reclamação da espionagem. E em meio a tudo isto continua se desenrolando o caso das empresas de Eike Batista e a esperança é que a investigação da CVM traga alguma luz sobre o que realmente aconteceu e como muitos tiveram grandes prejuízos enquanto alguns realizaram lucros. Ontem, a empresa não pagou US$ 44,5 milhões de dólares em juros devidos em suas debentures internacionais, no que o Wall Street qualificou como um dos maiores “defaults” na história da América Latina.

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Nos Estados Unidos, assistimos perplexos o desenrolar dos problemas da Síria. Foi agonizante acompanhar o tratamento que Obama deu ao caso, as idas e vindas, a indecisão. O mercado acionário acompanhou o comportamento subindo ou caindo, dependendo da declaração que vinha da Casa Branca. Finalmente, para fechar o mês com chave de ouro tivemos o episódio do orçamento do Governo. Como o novo orçamento não foi aprovado porque Republicanos e Democratas não se entendem, era necessário passar uma resolução especifica para provisionar fundos para o Governo, nos próximos 45 dias, com a esperança de que até lá alguma coisa fosse aprovada. Como é sabido, esta resolução não foi aprovada e as agências não essenciais estão sendo paralisadas. Daqui a quinze dias, o limite de endividamento do Governo terá que ser renovado e, portanto há uma nova batalha a frente.

Interessante notar que apesar da volatilidade, apesar da incerteza, o mercado acionário americano continuou sua trajetória positiva, subindo de novo.

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Confesso que a subida de 1º de Outubro me surpreendeu. Tentei entender porque minha visão e do a do mercado estavam diferentes. Com certeza não se relaciona a visão da economia, porque os números continuam positivos, com crescimento ainda que moderado nos EUA. A questão então deve residir na visão do fechamento do Governo e nos efeitos disto sobre a economia ou ainda na crença de que haverá uma solução rápida. É possível que o Mercado acredite que o funcionamento ou não do governo não faça diferença para a economia, uma vez que em termos de participação no PIB, o valor é muito pequeno. As estimativas são de que a economia perca US$300 milhões por dia ou 1,6 bilhões por semana, ou 5 bilhões em um mês, contra um PIB de mais de 16 trilhões. Portanto, não significativo. Além do mais o mercado não acredita que isto vá se prolongar por muito tempo ou pelo menos que não se prolongue por tempo suficiente para provocar um impacto negativo. Talvez minha descrença na classe politica seja maior que a deles. À medida que o fechamento prossegue, empresas não vão lançar IPO’s – já que a SEC (equivalente a CVM) vai estar fechada e consumidores não vão ter acesso a declarações de renda para compra de casas – visto que o IRS (equivalente a Receita Federal) vai estar fechado e assim por diante.  Os agentes já estão tratando o fechamento como caso encerrado apesar de que na sexta-feira não haverá publicação dos dados de emprego, pois a agência responsável pela divulgação estará fechada. Como reagirão os mercados a falta deste importante indicador da economia?

Em duas semanas, o caso pode se agravar, se o Congresso não aumentar o teto de endividamento do Governo. Seja como for, minha posição ainda não se alterou e apesar da volatilidade de curto prazo acho que ainda estamos em um momento bom para investir no mercado acionário Americano.

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Os membros do Tea Party, responsáveis por este problema, estão colocando, em minha opinião, um péssimo precedente para a democracia e para o sistema legal americano. Afinal, o chamado Obamacare ou Affordable Care Act, é uma lei aprovada pelo Congresso, assinada pelo Presidente, mantida pela Suprema Corte e referendada nas eleições de 2012. Parece que eles não acreditam em democracia e no sistema legal.

Vou terminar com uma pequena história sobre a ignorância da população. Em seu programa, Jimy Kemel saiu à rua perguntando a populares se eles preferiam Obamacare ou o Affordable Care Act. Como vimos na TV, as pessoas respondiam que não gostavam do Obamacare, mas preferiam o ACA!!! No comments. Como se sabe são a mesma coisa.

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