Que confusão…

O que começou com a primavera árabe virou outono, inverno, e verão árabe, e está difícil ver como isto vai acabar



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Basta olhar o mapa para ver o tamanho do problema. A Síria está rodeada por países complicados: no lado leste Iraque e Irã, ao norte, Turquia, para o sul, Israel e Jordão e para o oeste, Líbano. O que começou com a primavera árabe, virou outono, inverno, e verão árabe, e está difícil ver como isto vai acabar.

Na última semana de agosto, vimos o tradicional "flight to security", com investidores procurando refúgio nos títulos do tesouro americano à medida que as declarações de Obama e Kerry subiam de tom. Na sexta-feira os discursos de ambos provocaram um sobe e desce no mercado acionário. A população americana iniciou o prolongado fim de semana acreditando que o governo atacaria a Síria.

No sábado de manhã, Obama avisou que procuraria o aval do Congresso para esta ação.

A mudança de posição de Obama decorre do seu isolamento: sem o aval no Conselho de Segurança da ONU, sem os ingleses do seu lado e sem o apoio da população Americana, Obama resolveu tentar vender a ideia para o Congresso e ter a resolução aprovada.

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Obama está numa posição difícil: teoricamente ele está certo e deveria intervir na Síria; afinal o mundo baniu armas químicas e o governo que as usa está infringindo leis internacionais e deveria ser punido. Por razões humanitárias, alguém tem que se opor a um regime que mata crianças. Ocorre que este é um problema internacional e que requer uma resposta internacional, requer uma coalizão que parece cada vez mais remota, já que qualquer resolução na ONU contará com a oposição da China e Rússia. Do ponto de vista tático, os EUA também têm problemas, já que a maioria dos países vizinhos não quer sediar um ataque americano. Ninguém sabe qual serão as consequências de um ataque à Síria, como o Irã reagirá se haverá retaliação contra Israel, ou seja, em que medida o conflito vai se espalhar pela região.

O outro problema de Obama é doméstico. Ele vai ter que convencer o povo americano que o que está se passando na Síria representa uma ameaça à segurança nacional. O fato é que os americanos não querem se envolver em outra guerra e como todos sabem, a Câmara é controlada pelos republicanos, que apesar de serem normalmente favoráveis a intervenções e guerras, são contra Obama. O Congresso está de férias até a semana que vem e John Boehner até agora não deu nenhum sinal de que iria convocar uma sessão extraordinária.

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Se o Congresso não der a autorização para o Presidente, será o primeiro caso na história em que isto aconteceu e não será bom para os EUA. A imagem dos EUA, enfraquecida internacionalmente, só vai piorar e sabe-se lá o que vai decorrer daí. O pior de tudo é que Obama se colocou nesta posição difícil. E agora nenhuma saída é boa para ele. Mesmo se o Congresso apoiar a ação militar, qual é a missão? Qual é o objetivo? Como "calibrar" a ação?

Enquanto esta crise se desenvolve, há outras no horizonte, que impedem otimismo no curto prazo.

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O retorno do Congresso vai colocar na mesa duas batalhas: a batalha do orçamento e do limite de endividamento. O ano fiscal se encerra em 30 de setembro e membros do "Tea party" já estão prometendo que não vão aprovar nada com esperanças de que a falta de funding para o governo impeça a implementação do Affordable Care Act, conhecido como Obamacare. Portanto, há a possibilidade de que o governo "feche" em fim de setembro. Em meados de outubro, o governo deve atingir o limite de endividamento e os republicanos já estão prometendo uma reprise do verão de 2011, quando o acordo foi atingido na ultima hora, mas não impediu o downgrade dos EUA e a queda da bolsa.

Além disto, ainda temos a mudança na presidência do FED e ansiedade em relação ao início da diminuição da liquidez: quem vai ser o próximo presidente e como ele vai agir? Para onde vão as taxas de juros e como isto vai afetar o mercado acionário?

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Embora seja difícil navegar em meio a tantos problemas, permaneço na minha posição de que o melhor investimento ainda é o mercado acionário norte-americano. É claro que a diversificação é necessária e para isto existem veículos tais como investimentos imobiliários ou em fundos imobiliários, investimento em energia ou em fundos que investem em energia e outros. O fato é que o investidor não pode ficar com medo das turbulências, ao contrário tem que aproveitar as oportunidades de entrada que esta turbulência oferece.

Como também já falei em outras oportunidades, meu otimismo não se aplica ao Brasil: apesar de achar que o Brasil oferece excelentes oportunidades para quem tem capital para investir, o pequeno investidor não tem muitas alternativas, para não dizer nenhuma. Com o aumento da inflação, o antes seguro e rentável investimento em títulos do tesouro agora não consegue superar a inflação, ou seja, há uma perda real. O mercado acionário tem sofrido pela politica do governo, saída de capitais, efeito Eike e outros.

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Além disto, a desvalorização do real traz uma série de desafios para a politica econômica, para os empresários e a população em geral.
Vou reproduzir e traduzir um trecho de um artigo publicado no último sábado no NY Times: "(...) o governo atual cometeu dois erros graves. Primeiro assumiu que o crescimento ocorreria automaticamente e não atacou os graves problemas estruturais e, segundo, com altas receitas e liquidez internacional, aumentou os programas de redistribuição de renda e ignorou as consequências: déficits fiscais e comerciais mais altos".

Esta passagem não se refere ao Brasil, mas à Índia; mas se aplica quase na totalidade ao Brasil. De qualquer maneira, os emergentes estão sofrendo por erros básicos, cometidos na época de dinheiro fácil e crescimento mundial. Agora é tarde para consertar e só nos resta correr atrás do prejuízo, de crise em crise.

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