Proposta de Bolsonaro para zerar impostos sobre combustíveis deixaria rombo de R$ 27,4 bi nos cofres públicos

Arrecadação do governo federal com PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis chegou a R$ 27,402 bilhões no ano passado.Ideia de zerar impostos foi defendida nesta quarta-feira porJair Bolsonaro em meio a uma briga com os gocernos estaduais sobre o preço final dos produtos.

(Foto: Marcos Corrêa/PR | REUTERS/Sergio Moraes)


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Marcela Ayres, Reuters - A arrecadação do governo federal com PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis chegou a 27,402 bilhões de reais em 2019, fonte de receita que a União abriria mão caso zerasse esses impostos, investida aventada nesta quarta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro em meio à queda de braço com governadores sobre o preço final dos produtos.

Segundo a Receita Federal, foram 24,604 bilhões de reais somente com PIS/Cofins sobre combustíveis no ano passado. Já com a Cide foram outros 2,798 bilhões de reais, em dado corrigido pela inflação.

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Somados, os tributos federais sobre combustíveis representaram mais para a União que o megaleilão de petróleo da cessão onerosa, que rendeu 23,8 bilhões de reais aos cofres federais após descontada o pagamento à Petrobras e a repartição de recursos com Estados e municípios.

Mais cedo, o presidente afirmou que iria zerar os impostos federais sobre combustíveis caso os governadores fizessem o mesmo com o ICMS, em meio à leitura de que o preço cobrado nas bombas não tem caído em função da dinâmica da tributação estadual.

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Questionado nesta manhã sobre o tema, na saída do Ministério da Economia, o ministro Paulo Guedes não fez comentários.

Uma eventual perda de arrecadação nessa frente seria um revés do ponto de vista fiscal num momento em que a economia ainda não ganhou tração e o governo segue registrando seguidos déficits primários.

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Em 2019, as contas do governo central acumularam rombo de 95 bilhões de reais.

Em audiência no fim do ano passado na Câmara dos Deputados, o secretário especial da Receita Federal, José Tostes Neto, pontuou que o governo descartava um aumento da carga tributária com a reforma tributária, mas ponderou que sua diminuição também não seria possível no curto prazo em função do desequilíbrio das contas públicas.

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Bolsonaro já afirmou que irá enviar uma lei complementar ao Congresso para que o ICMS, que é de competência estadual, tenha um valor fixo por litro. Além disso, o presidente defende que o ICMS seja cobrado ao sair das refinarias, e não nos postos, onde o preço do combustível é mais alto.

Hoje ele incide sobre o valor da mercadoria, no modelo “ad valorem”, em que a base de cálculo é o valor do bem tributado. Por isso, quanto mais cara a base sobre a qual ele é aplicado, mais os Estados arrecadam.

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Em comunicado divulgado na segunda-feira, governadores de mais de 20 Estados afirmaram ter “enorme interesse em viabilizar a diminuição do preço dos combustíveis”, mas afirmaram que o debate devia ser feito em fórum adequado, numa crítica à atuação de Bolsonaro em redes sociais.

Também afirmaram que o ICMS é a principal fonte de receita dos Estados e que sua incidência sobre combustíveis responde por 20% do total levantado com o tributo. Sugeriram ainda ao governo federal que abrisse mão das receitas com PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis para guiar a redução dos preços.

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Questionado nesta quarta-feira sobre o assunto, o Comitê dos Secretários de Fazenda dos Estados (Comsefaz) não respondeu imediatamente.

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