Propina da JBS a fiscais dificulta retomada de vendas da carne brasileira no exterior
O "mensalinho" de até R$ 20 mil pago pela JBS a fiscais sanitários do Ministério da Agricultura, admitido por Wesley Batista em sua delação premiada, está dificultando a retomada das vendas da carne brasileira no mercado internacional; na avaliação de empresários e autoridades, a revelação dos pagamentos, que tinham o intuito de facilitar a emissão de laudos, atrapalha ainda mais as negociações entre o governo e os países importadores para a reabertura dos mercados para a carne do Brasil
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247 - Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, um dos donos da JBS, Wesley Batista, admitiu que a gigante de carnes pagava um “mensalinho” entre mil reais e R$ 20 mil a fiscais do Ministério da Agricultura, com o objetivo de ter agentes sempre à disposição dos frigoríficos do grupo e de facilitar a concessão de laudos. Há suspeita de que 200 profissionais estivessem na lista da JBS. Na avaliação de autoridades e empresários, o conteúdo da delação premiada, revelado ontem pelo jornal , atrapalha ainda mais as negociações entre o governo e os países importadores para a reabertura dos mercados para a carne do Brasil.
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— Isso é um desastre! Embora o produto brasileiro tenha qualidade, a Agricultura perdeu credibilidade. Para o importador, não há diferença entre o fiscal corrupto porque ganhou mil reais para fazer hora extra ou autorizar a venda de produto estragado — afirmou Pedro Camargo Neto, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira.
A notícia não poderia ter chegado em pior momento, reconhece uma fonte do governo. Ontem, uma equipe do Ministério da Agricultura iria se reunir, em Washington, com autoridades sanitárias dos EUA, para tentar liberar as exportações de carne bovina in natura àquele país. Washington suspendeu as importações há algumas semanas, alegando problemas na composição da carne decorrentes da vacinação contra febre aftosa.
As informações são de reportagem de Eliane Oliveira e Manoel Ventura em O Globo.
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