Programa de corte de jornada e salário do governo vai aumentar a pobreza, diz economista
Economista e professor da Universidade de Oxford, Gabriel Ulyssea, falou que algumas famílias vão passar por mais dificuldades com perdimento de renda
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247 - Programa emergencial de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes que prevê corte de jornada e salário dos trabalhadores na iniciativa privada sob pretexto de garantir empregos vai levar muitos trabalhadores formais à pobreza, segundo estudo feito pelo economista e professor da Universidade de Oxford, Gabriel Ulyssea. As informações são da Folha de S. Paulo.
Para ele, a perda de renda é mais severa para quem ganha de três a quatro salários mínimos. O economista defende que o valor do benefício oferecido pelo governo deveria considerar a manutenção do salário integral do trabalhador e isso não é possível pelo seguro-desemprego.
A regra de pagamento do seguro-desemprego prevê três faixas de cálculo, além do valor mínimo, que será sempre o piso dos salários, de R$ 1.045 neste ano. O valor máximo equivale a menos de 1,8 salário mínimo (R$ 1.813,03) e desta forma trabalhadores que ganham mais do que isso acabam entrando no prejuízo
Quanto mais ele ganha, menor será a renda durante o período pelo qual a empresa adotar as regras do programa, afirma Ulyssea.
“Para quem decidir por jornada e salário menores, a duração pode ser de até três meses. Essa redução salarial também será maior nos casos em que a empresa optar pela suspensão dos contratos. Com exceção das firmas maiores, com faturamento anual acima de R$ 4,8 milhões, as demais poderão manter o vínculo suspenso por até dois meses. Nesse intervalo, só pagarão aos funcionários benefícios previstos em contrato, como plano de saúde.” (Folha de S. Paulo - 11/04/2020)
De acordo com Ulyssea, “para o trabalhador que recebe até um salário mínimo e meio, não vai fazer diferença. O que a gente chama de taxa de reposição —ou seja, o quanto o seguro-desemprego repõe da renda anterior do trabalhador— é alta, em torno de 80%”.
“O problema, segundo o pesquisador, é que existe um contingente grande de trabalhadores que recebem mais, entre três e quatro salários mínimos —e ainda não é de alta renda—, mas que ficarão com uma reposição baixa ante a remuneração que recebia antes.” (Idem)
Ou seja, um trabalhador com um salário médio acima de R$ 4.000 receberá R$ 1.813,03 por dois meses se a empresa que o emprega decidir suspender o contrato. A redução é de 56%, e taxa de reposição, de 43%.
“Não é um rendimento baixo, mas, se você considerar uma família com duas crianças, a renda per capita já não vai ser tão alta. Se a renda desse chefe de domicílio cair a 40%, essa família vai passar por dificuldades”, diz.
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