Produção industrial fecha 2014 com queda de 3,2%

Segundo dados do IBGE divulgados nesta terça-feira, a produção recuou 2,8% em dezembro sobre novembro e teve, no resultado acumulado de 2014, o pior número em cinco anos; resultado mostrou debilidade em todas as categorias

Operários da Honda trabalham em linha de montagem de motocicleta na Zona Franca de Manaus, AM, um dos principais polos industriais do Brasil.
Operários da Honda trabalham em linha de montagem de motocicleta na Zona Franca de Manaus, AM, um dos principais polos industriais do Brasil. (Foto: Gisele Federicce)


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RIO DE JANEIRO (Reuters) - A produção industrial brasileira fechou 2014 com queda de 3,2 por cento, com debilidade em todas as categorias, no pior resultado em cinco anos, após cair em dezembro mais do que o esperado, destacando as dificuldades do setor para se recuperar neste ano.

O Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE) informou nesta terça-feira que a produção recuou 2,8 por cento em dezembro sobre novembro, quando a queda foi de 1,1 por cento em número revisado de recuo de 0,7 por cento.

Na comparação com um ano antes, a produção teve queda de 2,7 por cento em dezembro, o décimo resultado negativo seguido.

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Com isso, o setor reverteu o avanço de 2,1 por cento registrado em 2013 e registrou o pior resultado desde a queda de 7,1 por cento vista em 2009, auge da crise internacional.

A expectativa de analistas em pesquisa da Reuters era de que a produção industrial recuasse 2,5 por cento em dezembro sobre o mês anterior e 2,4 por cento na comparação com um ano antes.

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VEÍCULOS

De acordo com o IBGE, a categoria com pior desempenho tanto no ano quanto em dezembro foi a de Bens de Capital, medida de investimento. Somente no mês passado ela registrou recuo de 23 por cento sobre novembro, acumulando queda de 9,6 por cento entre janeiro e dezembro pressionada principalmente pelo recuo na fabricação de equipamentos de transporte (-16,6 por cento).

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Já os Bens de Consumo Duráveis tiveram queda de 2,2 por cento na produção em dezembro sobre o mês anterior, chegando a uma perda de 9,2 por cento no ano passado com destaque para a redução na fabricação de automóveis (-14,6 por cento) no período.

Dos 24 ramos pesquisados, 17 apresentaram queda na comparação mensal, sendo as principais influências negativas veículos automotores, reboques e carrocerias (-5,8 por cento), máquinas e equipamentos (-8,2 por cento) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,5 por cento).

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Já no ano o ramo com maior impacto negativo foi o de veículos automotores, reboques e carrocerias, com queda de 16,8 por cento.

A indústria foi uma das maiores fontes de fraqueza da economia brasileira no ano passado, e continua enfrentando dificuldades neste início de ano diante do ambiente de inflação e juros elevados, que encarece os empréstimos, além da baixa confiança de empresários.

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As projeções de economistas na pesquisa Focus do Banco Central para o setor em 2015 vêm caindo, e a estimativa agora é de crescimento de apenas 0,5 por cento, com a economia como um todo estagnada.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) aponta que o setor iniciou 2015 com alguma força ao crescer em janeiro ao ritmo mais forte em um ano, mas o Markit, que compila a pesquisa, ressaltou que a melhora foi apenas modesta e abaixo da média de longo prazo.

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A recuperação da confiança é um dos principais objetivos do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que vem buscando colocar as contas públicas em ordem.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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