Presidente do Barclays renuncia em meio a escândalo
Marcus Agius é acusado de manipular as taxas de juros interbancários Libor e Euribor. Banco anuncia auditoria e novo código de conduta para funcionários. Cresce pressão sobre impopular diretor geral, o americano Bob Diamond, convocado pelo Parlamento britânico para dar explicações
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247 - O presidente do conselho de administração do banco Barclays, Marcus Agius, anunciou nesta segunda-feira, 2, que renunciou ao cargo, em meio escândalo da manipulação das taxas de juros interbancários Libor (britânica) e Euribor (europeia), no qual é um dos acusados. O executivo justificou sua saída dizendo que o escândalo foi "um golpe devastador à reputação" do terceiro maior banco da Grã-Bretanha.
As taxas Libor e Euribot definem o preço dos empréstimos entre bancos, mas também, indiretamente, os valores dos créditos para as famílias e as empresas.
"Os acontecimentos da semana passada evidenciaram comportamentos inaceitáveis no banco e representaram um golpe devastador à reputação do Barclays", afirmou Agius. "Nossos clientes, funcionários e acionistas estão decepcionados, e eu lamento sinceramente".
O executivo presidia o conselho de administração do Barclays havia seis anos, e só ficará no cargo até que o banco encontre um substituto. Agius também se demitiu da presidência da Associação de Banqueiros Britânicos (BBA).
O Barclays anunciou que pretende realizar uma auditoria, cujo resultado será divulgado em relatório público, e também vai publicar um novo código de conduta para os funcionários.
Na semana passada, o banco disse que pagaria o equivalente a US$ 450 milhões para acabar com as investigações das autoridades britânicas e americanas sobre tentativas de manipulação da Libor e da Euribor.
O escândalo das taxas teve grande repercussão, e a pressão agora se volta para o diretor geral do Barclays, o americano Bob Diamond, que se tornou símbolo dos excessos financeiros na Grã-Bretanha e é altamente impopular. Ainda esta semana, ele deve comparecer a uma comissão parlamentar britânica para dar explicações.
O líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, não poupou Diamond nesta segunda, e já pressiona por sua saída. Ele disse que é necessária uma mudança de direção mais ampla, incluindo o diretor geral, Bob Diamond, que "era responsável pela área do Barclays onde ocorreram estes escândalos há vários anos".
No último fim de semana, várias personalidades exigiram que a lei britânica seja mais severa para que os banqueiros sem escrúpulos respondam por seus atos perante a Justiça. O governo já anunciou que o funcionamento do Libor será analisado por uma instância independente.
Com agências internacionais
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