Por que Meirelles demorou tanto a cortar os juros?
Cinco anos depois da quebra do Lehman Brothers, ocorrida em 2008, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, dá suas explicações sobre por que demorou tanto a reduzir a taxa Selic no auge da crise financeira internacional; no ano seguinte, o Brasil teve crescimento negativo de 0,3% e, para muitos economistas, a causa do mau desempenho foi a lentidão do BC
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247 - Cinco anos depois da quebra do Lehman Brothers e de uma das maiores crises da história do sistema financeiro internacional, Henrique Meirelles concedeu uma entrevista ao Estado de S. Paulo (leia aqui) para explicar por que demorou tanto a reduzir as taxas. Na visão de muitos economistas, foi aquela hesitação que fez com que o Brasil crescesse apenas 0,3% no ano seguinte. Eis um trecho da entrevista:
O senhor foi pressionado pelo presidente Lula a cortar juros?
Não. O que houve foi muita pressão, não do presidente, mas de muitos setores em dezembro de 2008 quando o BC não cortou os juros. Existe um erro conceitual nessa crítica. Ela ignora os canais de transmissão de política monetária. Existe uma frase famosa de um presidente de um Banco Central europeu: nesta crise a política monetária perdeu ação, porque os seus canais foram interrompidos. Quando o crédito esta paralisado, baixar a taxa de juros é ineficaz. O problema era a falta de liquidez. E o BC atacou isso. Outro ponto que hoje a experiência mostra: no Brasil também havia o problema do câmbio. Baixar a Selic no momento da crise dos derivativos iria apenas financiar o especulador contra o real. Quando os canais de política monetária foram restaurados, o mercado cambial voltou à normalidade. O Brasil saiu da crise rapidamente, melhor que outros países e mais forte do que quando entrou.
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