Por que Dilma não faz o que Delfim aconselha?
Vocalizando vontade de empresários, ex-ministro Delfim Netto pede à presidente Dilma Rousseff nomeação de novo ministro da Fazenda; ex-presidente da Coteminas Josué Gomes da Silva estaria pronto a aceitar; ele poderia ser fato positivo para sinalizar mudança sem ruptura na política econômica; já definido por Aécio Neves, Armínio Fraga ocupa espaços, que passariam a estar divididos com nome simpático à iniciativa privada e ao mercado; Dilma reforçou equipe econômica da campanha, mas estaria esperando resultados de pesquisas para avaliar gesto que considera radical; fato econômico novo pode mexer na disputa política
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247 – A presidente Dilma Rousseff tem uma carta na manga para apresentar à economia e, com o gesto, avançar no campo político. É a mesma que o ex-ministro Delfim Netto pede para ela baixar no jogo eleitoral: a nomeação de um novo ministro da Fazenda.
- Hoje todo mundo sabe que o Aécio nomeou ministro e o Mantega está desnomeado (sic). Então o governo (Dilma) vai ter que apresentar seu campeão, para apresentar seu projeto crível", disse o economista em entrevista à Reuters.
Em meio a este tipo de pressão, o nome do empresário Josué Gomes da Silva, ex-presidente da Coteminas, é considerado o favorito para o cargo. Ele próprio, segundo o governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel, estaria disposto a encarar a missão nesse momento, mas ainda não há definição da presidente Dilma Rousseff neste sentido. Segundo informação veiculada pela agência Reuters, Dilma estaria esperando os resultados das primeiras pesquisas dos grandes institutos para tomar a decisão. Ela considera o movimento radical. Além disso, temeria que fosse interpretado como um gesto de fraqueza e meramente eleitoral.
A favor da ideia há a corrente que entende que o fato novo poderia atrair para Dilma novos apoios na iniciativa privada. Além disso, o nome ministro faria com mais força o debate de modelos com o ex-presidente Armínio Fraga, escolhido por Aécio no dia 27 de setembro.
Anunciando no final do debate entre presidenciáveis da Rede Bandeirantes por Aécio, Armínio rapidamente ocupou grandes espaços na mídia e passou a apresentar diversas ideias para o debate. À fim de fazer o confronto com Armínio, tal o incômodo que ele vem causando ao PT, a presidente reforçou o comando econômico de sua campanha, com a escalação de Aloizio Mercadante, que deixou a chefia da Casa Civil para ficar mais liberado para coordenar o discurso econômico do PT. Mas isso está longe de ter o mesmo peso da nomeação de um verdadeiro ministro, como poderes para traçar planos oficiais e tomar medidas.
Tendo recebido mais de 4 milhões de votos para senador em Minas Gerais, onde ficou em segundo lugar na eleição vencida pelo ex-governador Antonio Anastasia, Josué já teria dito ao governador eleito Fernando Pimentel, do PT, que aceitaria ocupar o cargo agora. Mesmo que isso significasse, em caso de derrota de Dilma, uma gestão de pouco mais de dois meses.
A presidente ainda não está convencida da eficácia de um anúncio deste tipo. Mesmo tendo informado que pretende mudar a equipe econômica, ela continua considerando o ministro apto ao defender o governo frente aos ataques da oposição. Somente a imposição das pesquisas poderão, neste momento, mudar a convicção de Dilma. A presidente também pretende enfrentar ela própria a discussão sobre a política econômica, como fez nesta quinta-feira 9, na Bahia, quando afirmou que Fraga seria contra a valorização do salário mínimo. A crítica motivou uma nota oficial do ex-presidente do BC.
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