Pochmann: 'A piora na desigualdade da renda está de volta'

Diferença entre o segmentos mais pobres da população e a parcela mais rica cresceu significativamente após a chegada de Michel Temer ao poder, diz o professor da Unicamp e presidente da Fundação Perseu Abramo, Márcio Pochmann; "A piora na desigualdade da renda está de volta, mesmo que alguns estudos e meios de comunicação preocupam-se mais em desconstituir o passado que melhorou inequivocamente a vida dos pobres e daqueles com rendimentos intermediários, sem prejudicar os ricos", afirma

Brasília - Marcio Pochmann, da Fundação Perseu Abramo, fala na 15ª Conferência Nacional de Saúde (Elza Fiuza/ Agência Brasil)
Brasília - Marcio Pochmann, da Fundação Perseu Abramo, fala na 15ª Conferência Nacional de Saúde (Elza Fiuza/ Agência Brasil) (Foto: Paulo Emílio)


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247 - A diferença entre o segmentos mais pobres da população e a parcela mais rica cresceu significativamente após a chegada de Michel Temer ao poder diz Márcio Pochmann, professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas. Segundo ele, "a proliferação de informações e análises a respeito da péssima distribuição da renda, ao invés de contribuir para o seu enfrentamento termina, muitas vezes, favorecendo o contrário".

"A piora na desigualdade da renda está de volta, mesmo que alguns estudos e meios de comunicação preocupam-se mais em desconstituir o passado que melhorou inequivocamente a vida dos pobres e daqueles com rendimentos intermediários, sem prejudicar os ricos", afirma.

"Exemplo disso ocorreu na década de 1970, quando o IBGE divulgou pela primeira vez o segundo censo demográfico contendo informações sobre rendimentos dos brasileiros, o que permitiu comprovar o aumento da concentração de renda. Os 5% mais ricos da população aumentaram de 27,3% para 36,2% a participação no total da renda nacional, enquanto os 40% mais pobres reduziram de 11,2% para 9,1% entre 1960 e 1970 destaca Pochmann em um artigo publicado pela Rede Brasil Atual.

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Segundo ele, "outros dados foram adotados nos estudos, como os do Imposto de Renda para identificar rendimentos do capital (lucros, juros, renda da terra, alugueis) e do trabalho (salários, ordenados, remuneração), bem como da antiga Lei dos 2/3 (substituída pela Relação Anual de Informações Sociais - RAIS) sobre rendimentos individuais dos ocupados formais".

Esta incorporação de novos dados acabou por apontar que em 1973 "o Gini da desigualdade do capital era de 0,78, muito maior que o Gini do trabalho (0,47). Três décadas depois, em 2004, o livro Os ricos no Brasil organizado por A. Campos e outros pesquisadores (SP, Cortez) também se utilizando da declaração do Importo de Renda para definir rendimento do capital e do trabalho, identificou que somente 0,001% das famílias brasileiras concentravam 40% de todo o estoque da riqueza nacional".

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"Nesse mesmo sentido, os estudos mais recentes que incorporam dados do capital, não fundamentalmente do trabalho e de transferência sociais das políticas públicas, seguem apontando que a desigualdade do capital é extrema, bem mais intensa que a do trabalho", ressalta o pesquisador.

"Os dados censitários e das Pnad's do IBGE que coletam relativamente melhor os rendimentos do trabalho e de transferências públicas não deixam dúvidas que nos anos 2000, ao contrário da década de 1990, a desigualdade de renda caiu significativamente", observa. Mas com as informações derivadas da declaração do Importo de Renda, que melhor expressa a renda do capital, a trajetória da desigualdade não se alterou. Natural, pois nos anos de 2000, o que se mais avançou foram as políticas adotadas para melhorar a vida dos pobres e daqueles com renda intermediária", complementa.

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"Quando as políticas públicas começavam a desenhar uma ação para atacar a desigualdade extrema do capital, o condomínio de interesses em torno do Projeto para o futuro destitui a presidenta democraticamente eleita. No seu lugar, emergiram as reformas contra os pobres e os segmentos de rendimentos intermediários, o que tem favorecido ainda mais as rendas do capital", finaliza.

 

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