'Plano Marshall' da Casa Civil expõe divisões com Guedes sobre estratégia para retomada

A conciliação de investimentos públicos almejados pelo governo com a regra do teto de gastos está em estudo no plano da Casa Civil, que quer impulsionar a realização de obras no país passada a fase mais aguda com a pandemia

Walter Braga Netto e Paulo Guedes
Walter Braga Netto e Paulo Guedes (Foto: Carolina Antunes/PR | REUTERS/Adriano Machado)


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BRASÍLIA (Reuters) - A existência de um plano para retomada da economia sob a batuta da Casa Civil estruturado em torno do aumento de investimentos públicos expõe as divisões internas no governo Jair Bolsonaro sobre a melhor estratégia para o país se reerguer da crise, num momento em que o Ministério da Economia segue apostando em reformas para atração de investidores privados.

Nesta quarta-feira, o secretário especial de Desestatização, Desenvolvimento e Mercados, Salim Mattar, reconheceu que a rota traçada pelo time do ministro Paulo Guedes vai para outra direção.

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“O Plano Marshall gestado pela Casa Civil é um pouco diferente dos planos do Ministério da Economia”, disse. “O Plano Marshall dependeu do dinheiro americano, e nós não temos dinheiro sobrando mais, as finanças nossas foram absolutamente esgotadas”.

No Plano Marshall original, os Estados Unidos financiaram a reconstrução de países aliados na Europa após a Segunda Guerra Mundial.

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Salim avaliou que o Plano Marshall brasileiro —denominado de Pró-Brasil, segundo a Casa Civil— ainda é muito embrionário e afirmou que a intenção do Ministério da Economia é diferente, voltada à busca de investimentos privados.

Questionado se o fato de existirem planos distintos sob um mesmo governo não denotava falta de consenso, emitindo sinal trocado para investidores, Salim afirmou que isso faz parte da democracia.

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“Nós estamos numa democracia espetacular, isso não é falta de coordenação, isso é democracia, nós tempos tempo para tomar decisão, então surgem ideias”, afirmou.

O ministro chefe da Casa Civil, Braga Netto, disse nesta quarta-feira que o Pró-Brasil tem como meta o crescimento socioeconômico e que todos os ministérios estão envolvidos na discussão do plano.

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“A economia faz parte como um todo, não é o foco do programa”, disse a jornalistas.

TETO DE GASTOS

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A conciliação de investimentos públicos almejados pelo governo com a regra do teto de gastos está em estudo no plano da Casa Civil, que quer impulsionar a realização de obras no país passada a fase mais aguda com a pandemia.

“(Isso) será definido ao longo do tempo”, informou uma fonte com conhecimento direto do assunto nesta quarta-feira.

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Em condição de anonimato a fonte pontuou que as obras de infraestrutura prioritárias estão sendo estudadas dentro de um plano de ação que ainda está em formatação.

Mais cedo nesta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o alto escalão da Esplanada dos Ministérios, na companhia do vice-presidente Hamilton Mourão, e com os presidentes do Banco Central e de bancos públicos.

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Boa parte dos integrantes do encontro faz parte do Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19, que foi criado em meados de março e é coordenado pelo ministro da Casa Civil, general Braga Netto.

Na semana passada, inclusive, Braga Netto assinou uma resolução criando um grupo de trabalho para colocar de pé “ações estruturantes e estratégicas para recuperação, crescimento e desenvolvimento do país”, no âmbito do comitê.

Entre as tarefas do grupo, está a definição de medidas na área de infraestrutura com obras públicas de responsabilidade da União e parcerias com o setor privado.

Na segunda-feira o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, já havia pontuado, ao ser questionado sobre de onde o governo tiraria recursos para manter obras de infraestrutura em andamento, que “não há outro caminho que não seja trazer recursos para o Orçamento e isso tem que ser feito via endividamento”.

Embora o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenha participado da reunião nesta manhã, as discussões estão sendo lideradas por Braga Netto.

A equipe econômica é refratária à mensagem de uso de recursos públicos para alavancar a economia e tem defendido que isso deve ocorrer através da atração de investimentos privados a partir da realização de reformas.

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