Pibinho e inflação zero colocam pressão no BC
O desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre ficou muito abaixo do que se previa; enquanto analistas esperavam um resultado entre 0,9% e 1%, a expansão foi de míseros 0,6%; marcha lenta da atividade empresarial deixa claro que seria um erro crasso do Banco Central apertar a política monetária, na reunião desta quarta-feira do Copom; no campo inflacionário, IGP-M ficou parado, em razão, sobretudo, da queda dos alimentos; mercado financeiro já virou aposta e projeta, agora, alta de 0,25 ponto da Selic, em vez de meio ponto; o certo mesmo, no entanto, seria deixar a Selic como está ou até reduzi-la
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Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – O Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, cresceu 0,6% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao último trimestre de 2012. A economia brasileira totalizou R$ 1,11 trilhão no primeiro trimestre do ano.
Os dados foram divulgados hoje (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o primeiro trimestre de 2012, o PIB brasileiro teve crescimento de 1,9%. No acumulado dos 12 meses, a economia apresentou um crescimento de 1,2%.
Na média internacional, o desempenho não é tão negativo:
O número brasileiro foi o mesmo registrado pela economia norte-americana. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no entanto, a economia do Brasil cresceu menos que a japonesa e a coreana (ambas com alta de 0,9%).
O Brasil cresceu mais que países como México (0,5%), Reino Unido (0,3%) e Alemanha (0,1%). Outros países tiveram queda no primeiro trimestre de 2013 em relação ao trimestre anterior: Portugal (-0,3%), Itália (-0,5%) e Espanha (-0,5%). A economia da União Europeia caiu 0,1%.
Na comparação com os Brics, o crescimento de 1,9% do Brasil no primeiro trimestre de 2013 em relação ao mesmo período do ano passado foi o mesmo observado pela África do Sul e superior ao registrado pela Rússia (1,6%). A China teve crescimento econômico de 7,7%. A Índia ainda não divulgou seu PIB.
Abaixo, o noticiário da Reuters:
PIB do Brasil cresce 0,6% no 1º tri 2013, abaixo do esperado
RIO DE JANEIRO, 29 Mai (Reuters) - A economia brasileira cresceu apenas 0,6 por cento no primeiro trimestre deste ano na comparação com o quarto trimestre de 2012, abaixo do esperado e com desempenho ruim da indústria e dos consumos das famílias e do governo.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) do país teve uma expansão de 1,9 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.
A expansão da atividade no trimestre passado mostra que a economia não acelerou no início deste ano, já que repetiu a mesma taxa de 0,6 por cento do quarto trimestre de 2012 sobre o período imediatamente anterior.
Entre janeiro e março passados, a indústria teve retração de 0,3 por cento sobre o quarto trimestre, único setor que mostrou queda no período. O resultado foi puxado pela indústria extrativa mineral (-2,1 por cento).
Na ponta oposta, o setor agropecuário mostrou forte expansão de 9,7 por cento no trimestre, enquanto serviços cresceu 0,5 por cento.
Como esperado, a formação bruta de capital fixo, uma medida do investimento, mostrou um bom crescimento na comparação trimestral, de 4,6 por cento, o melhor desempenho em três anos. Já o consumo das famílias teve uma alta de apenas 0,1 por cento, enquanto o consumo do governo ficou estável no período.
Pesquisa Reuters indicava crescimento de 0,9 por cento na comparação trimestral, segundo a mediana de previsões de 31 analistas, com as projeções variando de 0,55 a 1,2 por cento. Sobre um ano antes, a mediana de 29 previsões indicava expansão de 2,3 por cento entre janeiro e março de 2013, numa faixa de 1,0 a 2,8 por cento.
Com a divulgação do fraco desempenho da economia no início do ano, o mercado futuro de juros mudou suas apostas nesta manhã e agora a maioria acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) irá elevar a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, a 7,75 por cento.
Até a véspera, a maioria, ainda que com uma pequena vantagem, acreditava que o Banco Central aceleraria o passo e aumentaria a taxa básica de juros a 8,00 por cento.
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Walter Brandimarte; Texto de Patrícia Duarte; Edição de Alexandre Caverni)
E também sobre o IGPM:
IGP-M fica estável em maio após alta de 0,15% em abril, diz FGV
SÃO PAULO, 29 Mai (Reuters) - O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) ficou estável em maio, após elevação de 0,15 por cento em abril, com maior intensidade da queda dos preços no atacado e em meio à desaceleração da alta no varejo, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta-feira.
Em relação à segunda prévia de maio, houve leve desaceleração do indicador após variação positiva de 0,01 por cento no período.
Pesquisa Reuters apontou que o indicador teria variação positiva de 0,04 por cento em maio, de acordo com a mediana de 17 estimativas, que variaram de queda de 0,03 por cento a alta de 0,15 por cento.
Em meio a preocupações com a inflação e com a fragilidade da economia este ano, as atenções estão agora sobre a divulgação nesta manhã do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, com expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,9 por cento sobre o período anterior.
No fim o dia, o foco volta-se para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que define o próximo patamar da Selic. Pesquisa da Reuters aponta divisão entre os economistas, com pequena maioria prevendo alta de 0,50 ponto percentual, para 8 por cento.
ATACADO
De acordo com a FGV, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60 por cento do índice geral, teve deflação de 0,30 por cento em maio, ante recuo de 0,12 por cento em abril.
Em relação à origem dos produtos, os agropecuários registraram queda de 1,98 por cento em maio, ante recuo de 1,82 por cento em abril. Os industriais, por sua vez, desaceleraram a alta a 0,34 por cento, ante 0,54 por cento em abril
Entre os estágios de produção, os preços dos Bens Finais recuaram 0,05 por cento, ante alta de 0,86 por cento anteriormente. No segmento Bens Intermediários, houve recuo de 0,18 por cento, ante queda de 0,19 por cento em abril.
Por sua vez, o índice de Matérias-Primas Brutas apresentou variação negativa de 0,77 por cento, contra deflação de 1,20 por cento no mês anterior.
VAREJO
Já o Índice de Preços ao Consumidor, com peso de 30 por cento no índice geral, desacelerou a alta para 0,33 por cento, contra 0,60 por cento visto anteriormente.
A principal contribuição para o resultado do índice partiu do grupo Alimentação, que desacelerou a alta a 0,36 por cento, contra 1,26 por cento em abril.
Na contramão, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou elevação de 1,24 por cento, acelerando ante alta de 0,84 por cento em abril.
Além de medir a evolução do nível de preços, o IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de energia elétrica e aluguel.
O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.
(Por Camila Moreira)
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