PGR admite erro de R$ 419 bilhões sobre planos

Procurador-geral Rodrigo Janot revê para R$ 21,87 bilhões expurgos inflacionários dos planos Cruzado, Bresser, Collor 1 e Collor 2, do período de junho de 1987 a setembro de 2008; conta fica bem distante dos R$ 441,7 bilhões cotados inicialmente

Procurador-geral Rodrigo Janot revê para R$ 21,87 bilhões expurgos inflacionários dos planos Cruzado, Bresser, Collor 1 e Collor 2, do período de junho de 1987 a setembro de 2008; conta fica bem distante dos R$ 441,7 bilhões cotados inicialmente
Procurador-geral Rodrigo Janot revê para R$ 21,87 bilhões expurgos inflacionários dos planos Cruzado, Bresser, Collor 1 e Collor 2, do período de junho de 1987 a setembro de 2008; conta fica bem distante dos R$ 441,7 bilhões cotados inicialmente (Foto: Roberta Namour)


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por Hylda Cavalcanti, da Rede Brasil Atual
Brasília – A Procuradoria Geral da República (PGR) divulgou hoje (21) parecer com recálculo dos valores referentes à margem bruta de lucro obtida pelos bancos com os expurgos inflacionários dos planos econômicos Cruzado, Bresser, Collor 1 e Collor 2. O valor de R$ 21,87 bilhões leva em conta o período de junho de 1987 a setembro de 2008, e fica bem distante dos R$ 441,7 bilhões cotados inicialmente.

A constatação da PGR derruba o argumento principal contrário à condenação dos bancos que vinha sendo apresentado – o de que as indenizações a serem pagas aos brasileiros que tinham poupança no país durante a vigência de tais planos poderiam chegar a perto de R$ 500 bilhões, uma estimativa montada com base em planilhas apresentadas pelo próprio Ministério Público. O montante, segundo diziam os bancos, acarretaria em desequilíbrios na economia nacional, em caso de decisão judicial desfavorável a tais instituições financeiras.

A avaliação conclui que não seria, portanto, nenhum absurdo para as instituições desembolsar o valor reclamado por cerca de 400 mil poupadores a serem beneficiados pela ação. Os três maiores bancos privados do país (Bradesco, Itaú Unibanco e Santander) alcançaram lucro líquido de quase R$ 30 bilhões em 2013.

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As contas da PGR mostram, também, que estavam certos desde o início os cálculos do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e dos advogados das partes – milhares de brasileiros de todas as regiões do país.

Com a entrega do parecer, o julgamento dos recursos referentes aos expurgos inflacionários de antigos planos econômicos nas contas de poupança, que está emperrado no Supremo Tribunal Federal (STF) desde o final do ano passado, já tem condições de ser retomado a partir de agosto, quando se inicia o semestre do Judiciário.

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Recursos

O tribunal avalia a constitucionalidade da aplicação retroativa dos índices de correção monetária dos planos econômicos Cruzado, Bresser, Collor I e Collor II, implementados nos anos 80 e 90, em Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) e em quatro recursos extraordinários sobre o tema, em tramitação. A decisão vai embasar ações coletivas movidas em todo o país por pessoas que tinham poupanças na época e reivindicam o recebimento das diferenças provocadas pela aplicação dos índices econômicos definidos pelos governos durante a vigência dos planos.

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Um dos empecilhos para a decisão do colegiado do STF ainda é o fato de que muitas das poupanças daquela época estavam em bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – motivo pelo qual ainda é preciso avaliação sobre o impacto dos pagamentos nas contas da União.

Líquido x bruto

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Conforme o parecer de hoje, assinado pelo procurador-geral Rodrigo Janot, o cálculo feito pela equipe técnica da PGR destaca que o valor médio anual do lucro líquido dos maiores bancos brasileiros nos últimos 14 anos anteriores a setembro de 2008 situou-se na faixa de R$ 8,3 bilhões (montante que exprime o resultado de todos os produtos da indústria bancária no período).

A PGR informou, também, que elaborou o estudo entre junho de 1987 e setembro de 2008 a partir de saldos consolidados do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, assim como dos dados fornecidos pelo Banco Central e também de percentuais de faixa livre de operações bancárias regulamentados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

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Quatro anos atrás, parecer da PGR apontava como resultado obtido pelos bancos com as cadernetas de poupança o valor de R$ 441,7 bilhões. Mas, no documento divulgado hoje, a PGR explica que esse valor é tão alto porque nele se considera o valor bruto dos bancos com tais planos, e não o valor que se queria obter, referente aos expurgos nas contas de poupança.

Expressaria, segundo o relatório, “os 20% dos saldos totais das cadernetas de poupança existentes no momento dos planos econômicos em questão, atualizados pela remuneração aplicada à poupança e somados”. “Não representa o número que se deseja encontrar: o lucro bruto”, enfatiza o documento. Foi por esse motivo que no último julgamento os ministros do STF solicitaram formalmente novo parecer à PGR.

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Para todos

Existem, atualmente, cerca de 500 mil processos em tramitação nos tribunais brasileiros e perto de 100 ações civis públicas reivindicando a devolução de expurgos de planos econômicos diversos, tendo como partes grupos de pessoas que eram poupadoras na época. Se o julgamento do STF for favorável aos poupadores – como se espera – terão direito ao ressarcimento todas as pessoas que possuíam contas em poupança no período e ajuizaram ações em tribunais diversos.

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O motivo para essa situação é que os ministros relatores no STF definiram que os recursos serão julgados pelo procedimento da repercussão geral. Segundo o mecanismo, o que for decidido no julgamento valerá para todos os demais recursos com o mesmo tema e pode, inclusive, vir a se tornar uma súmula vinculante (decisão a ser seguida por todos os juízes e tribunais do Judiciário brasileiro).

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