Petrobras cai mais de 8% e puxa Ibovespa
Índice acelera perdas nesta quarta-feira 20, seguindo a tensão global e os rumores sobre perda da credibilidade do Banco Central; investidores ficam de olho na decisão do Copom; ações da Petrobras voltam a despencar em meio a mais uma queda do petróleo; às 15h, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo registrava perdas de 2,46%
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Por Ricardo Bomfim - O Ibovespa acelera perdas nesta quarta-feira (20), seguindo a tensão global e os rumores sobre perda da credibilidade do Banco Central. Lá fora, o "sell-off" foi desencadeado por resultados decepcionantes de empresas como a Shell e também em meio a relatório da Agência Internacional de Energia falando que o mercado vai se "afogar" em oferta de petróleo. Mineradoras como a BHP também despencam e lideram perdas nas bolsasmundiais, enquanto os bonds de 10 anos da Alemanha disparam 8%. Por aqui, os investidores ficam de olho na decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), após o ato inédito do presidente da autoridade monetária.
Às 14h34 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira caía 2,13%, a 37.246 pontos. Já o dólar comercial tem alta de 1,28% a R$ 4,1068, enquanto o dólar futuro para fevereiro tem alta de 0,92% a R$ 4,116. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 6 pontos-base a 15,36%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 dispara 22 pontos-base a 16,89%. As bolsas norte-americanas caem 2,5%.
Hoje, as notícias foram de que o movimento feito ontem pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, agradou ao Palácio do Planalto. A avaliação de auxiliares da presidente Dilma Rousseff foi a de que Tombini fez um aceno para a "ancoragem" do mercado ao divulgar uma nota alertando para mudanças "significativas" das projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), com previsão de retração de 3,5% neste ano no Brasil.
Para um analista que não quis ser identificado, a interferência política no BC, além de fazer os DIs subir, ainda é responsável também por parte da queda da Bolsa. "É uma mostra clara de falta de confiança na autoridade monetária", disse.
Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 5,81, -5,53%; PETR4, R$ 4,31, -7,51%) voltam a despencar em meio a mais uma queda do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) cai 5,24% a US$ 26,97, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tem queda de 4,03% a US$ 27,60.
Já as ações da Vale (VALE3, R$ 9,12, -0,65%; VALE5, R$ 6,76, -3,98%) acompanham outras mineradoras e desabam nesta manhã, puxadas pela apreensão dos mercados quanto à demanda por minério de ferro e corte de recomendação e preço-alvo pelo HSBC.
A mineradora e sua holding Bradespar (BRAP4, R$ 3,19, -5,62%) tiveram suas recomendações cortadas de compra para hold pelo HSBC. O preço-alvo do ADR da Vale foi cortado de US$ 5 para US$ 2,20, enquanto o das ações PNA foi cortado de R$ 16,90 para R$ 7,30. Já o preço-alvo da Bradespar foi cortado de R$ 9,40 para R$ 3,30.
Segundo o analista Leonardo Shinohara, a qualidade do produto e a resiliência não são suficientes para suportar a queda dos preços do minério de ferro. Eles revisaram a previsão para o Ebitda, de queda de 33%.
Também caem as ações da Suzano (SUZB5, R$ 14,44, -6,11%), que seguem derrocada na Bolsa, voltando para o menor patamar desde julho do ano passado, após cair 20,7% este ano. Desempenho um pouco mais ameno do que seu par na Bolsa Fibria (FIBR3, R$ 41,74, -5,27%), que recuaram 19% este ano, voltando também para os níveis de julho do ano passado.
Um descolamento que ficou mais nítido no pregão passado: enquanto as ações da Suzano recuaram 3%, as ações da Fibria subiram. Uma performance que sugere que o mercado está precificando um resultado mais fraco de Suzano no 4° trimestre, apontou o BTG Pactual, em nota a clientes nesta quarta-feira.
Entre as altas ficam os papéis da Braskem (BRKM5, R$ 24,68, +0,73%). Apesar disso, as ações seguem em queda no ano.
Copom
Em meio a muita indefinição sobre a decisão do Copom , o presidente do Banco CentralAlexandre Tombini confundiu os mercados ontem, ao divulgar nota em que afirmou que as revisões das projeções do PIB brasileiro pelo FMI para baixo foram "significativas", seguindo-se à notícia de que o presidente do BC teve um encontro não-oficial com a presidente Dilma Rousseff. A notícia, da Agência Estado, destacava que o governo contava como uma alta de 0,25 ponto percentual da Selic. As possibilidades de decisão do Copom hoje são três: uma alta de 0,5 p.p., uma de 0,25 p.p. e uma manutenção dos juros no patamar atual. A não ser que o comitê opte pela primeira opção, o mercado deve reagir negativamente, já que mostrará uma interferência do governo e na cúpula do PT em uma decisão da autoridade monetária.
Pauta política
A defesa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tenta adiar a análise da denúncia contra o deputado feita pela PGR (Procuradoria-geral da República). O pedido, feito ao STF (Supremo Tribunal Federal) faz parte da resposta de Cunha à denúncia oferecida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o suposto recebimento de propina de US$ 5 milhões em contrato da Petrobras. Ainda na pauta política, hoje a presidente Dilma Rousseff reúne-se hoje, pela primeira vez neste ano, com o vice-presidente Michel Temer. Desde o dia 9 de dezembro, Dilma não se encontra com Temer. Por ocasião do Natal, a presidente telefonou ao vice-presidente, e, no réveillon, ele retribuiu o gesto. O assunto da conversa não foi divulgado pelas assessorias da Presidência da República, nem da Vice-Presidência.
Cenário externo
A tensão domina os mercados externos na sessão desta quarta-feira. As ações europeias caem mais de 3%, com Shell e mineradoras puxando perdas. O petróleo recua e o brent é negociado por volta dos US$ 28 o barril após a AIE dizer que mercado pode se "afogar" em oferta, enquanto o dólar sobe contra moedas ligadas a commodities.
Na Europa, o DAX cai 3,17% e o CAC 40 opera em baixa de 3,87%. Ontem, o FMI cortou a projeção de crescimento mundial de 3,6% para 3,4% este ano.
O japonês Nikkei entrou em bear market, fechando em queda de 3,71%, enquanto Xangai fechou em baixa de 1,04% e Hang Seng teve baixa de 3,82%, em meio às preocupações com o crescimento global, China e queda dos preços do petróleo.
As ações chinesas caíram nesta quarta-feira, devolvendo parte dos ganhos de 3% da sessão anterior, após o regulador do mercado aprovar uma nova onda de ofertas públicas iniciais de ações (IPO), enquanto no restante do continente as ações recuaram para uma nova mínima de quatro anos com a queda implacável do petróleo desferindo um novo golpe no apetite por risco dos investidores.
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