Petrobras cai após balanço e puxa Ibovespa

Ações da petroleira desabaram 7% no pregão desta sexta-feira, em que apenas quatro ações fecharam em alta; Ibovespa tem segunda maior queda do ano (2,9%) e volta aos patamares de março em meio a crise política

Ações da petroleira desabaram 7% no pregão desta sexta-feira, em que apenas quatro ações fecharam em alta; Ibovespa tem segunda maior queda do ano (2,9%) e volta aos patamares de março em meio a crise política
Ações da petroleira desabaram 7% no pregão desta sexta-feira, em que apenas quatro ações fecharam em alta; Ibovespa tem segunda maior queda do ano (2,9%) e volta aos patamares de março em meio a crise política (Foto: Gisele Federicce)


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Por Ricardo Bomfim • Marília Kazmierczak

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda pelo quarto pregão de cinco nesta sextafeira (7) e recuou 2,87% a 48.577 pontos, mesmo após o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), ter dito que são infundados os boatos de que ele deixou a articulação política. "Tenho responsabilidades com meu país e com a presidente Dilma", disse o vice-presidente em sua conta oficial no Twitter. O volume negociado no pregão foi de R$ 5,914 bilhões. Com o pregão de hoje, o índice atinge o menor fechamento desde 13 de março quando fechou em 48.595. Esta foi também a segunda maior queda do ano, sendo superada apenas pelos 2,99% de recuo no dia 2 de janeiro.

Ainda no radar, hoje foi dia de divulgação do relatório de emprego nos Estados Unidos, que mostrou uma criação de 215 mil novas vagas em julho, ao mesmo tempo em que a taxa de desemprego se manteve em 5,3%. Também saiu o dado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que registrou um aumento de 0,62% no mês passado, chegando a 9,56% no acumulado de 12 meses.

Segundo o trader da H. Commcor, Ari Santos, o mercado além de ficar negativo por conta dos dados econômicos , do provável aumento dos juros pelo Federal Reserve em setembro, e da crise política, também tem um movimento de venda antes do fim de semana, já que com a Bolsa fechada o investidor não pode reagir imediatamente a eventuais novidades. "Muita gente zerando posição antes do fim de semana", diz Santos.

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Fora das ações, o dólar comercial recuou 0,82% a R$ 3,5081 na venda ao mesmo tempo em que o dólar futuro caiu 0,93% a R$ 3,535. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 teve queda de 14 pontos-base a 14,34% ao passo que o DI para janeiro de 2021 recuou 14 pontos-base a 13,81%.

Petrobras

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Petrobras (PETR3, R$ 10,61, -7,42%; PETR4, R$ 9,69, -6,10%) As ações da Petrobras, que mostraram forte volatilidade nesta manhã, acentuaram as perdas durante a tarde depois de divulgação do balanço do segundo trimestre ontem à noite. A ação também caiu influenciada pela queda do preço do petróleo, com o Brent registrando baixa de 1,58%, a US$ 48,74 o barril.

Sobre o resultado, a petroleira registrou um lucro líquido atribuído aos acionistas de R$ 531 milhões no segundo trimestre deste ano, uma queda de 90% ante o trimestre anterior, quando a companhia teve lucro de R$ 5,330 bilhões. A média de 7 analistas compilados pela Bloomberg era de lucro de R$ 4,525 bilhões.

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Por outro lado, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) atingiu R$ 19,771 bilhões - acima dos R$ 19,087 bilhões esperados pelos analistas -, uma queda de 6% ante os três primeiros meses deste ano, mas acima dos R$ 16,246 bilhões de um ano antes.

Um dos destaques negativos, segundo os analistas, foram as baixas não-recorrentes. Os números da companhia foram prejudicados por fatores não operacionais, como o reconhecimento de mais R$ 1,286 bilhão em impairment (baixa de ativos), além de nova contingência de R$ 2,8 bilhões referente a processos sobre a incidência de IOF das suas controladas no exterior nos anos de 2007, e de 2009 a 2012. E a nova provisão se soma a outra anunciada 16 de julho, de R$ 1,4 bilhão.

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Conforme destaca o Santander, os resultados operacionais foram ligeiramente melhores do que o esperado, puxados por uma melhora trimestral no segmento upstream (parte da cadeia produtiva que antecede refino, abrangendo exploração, desenvolvimento, produção e transporte para beneficiamento), assim como resultados saudáveis no segmento downstream (logística da distribuição e transporte dos produtos da refinaria até os locais de consumo).

Porém, o futuro não parece muito promissor, segundo os analistas do banco, Christian Audi e Gustavo Allevato "no entanto, olhando à frente, esperamos que a combinação desfavorável de preços menores do petróleo e depreciação do real limite ainda mais o potencial para reajustes de combustíveis, gere resultados operacionais de upstream 'sem brilho' e aumente o endividamento da companhia", avaliam.

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Em teleconferência, o diretor financeiro da companhia, Ivan Monteiro, disse que a Petrobras não vai alterar plano de desinvestimento e que os ativos têm atraído nível de interesse bastante alto no mercado. Hoje, a empresa anunciou a aprovação pelo Conselho para o IPO da BR Distribuidora.

Estácio (ESTC3, R$ 12,82, -0,62%) A companhia teve lucro líquido consolidado de R$ 131,9 milhões, alta de 53,4% na comparação anual e vê seus papéis subirem. A média das estimativas de analistas obtidas pela Reuters apontava lucro de R$ 101 milhões no período.

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Analistas destacam "bom resultado" no período. Segundo a XP Investimentos, a companhia conseguiu manter interessante resiliência frente às recentes mudanças no Fies, mas salientou que segue cautelosa com o segundo semestre deste ano, frente a piora do cenário econômico e impactos da mudança no Fies na captação e evasão ao longo do semestre.

Já a companhia disse que espera que a base de alunos presenciais cresça de 3% a 6% no segundo semestre, após ter revisto investimentos por causa de problemas relacionados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

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Exportadoras Após seis dias de alta na esteira da valorização do dólar, as exportadoras devolveram parte dos ganhos, em um dia de queda da moeda americana. O dólar comercial tem leve baixa de 0,55% a R$ 3,521 na venda. O câmbio é afetado pela ampliação da oferta de swaps pelo Banco Central, de volta à rolagem de 100%. A decisão foi tomada depois que a moeda norteamericana chegou a beirar R$ 3,57 na última sessão puxada pela crise política. As ações de empresas do setor de papel e celulose, como Suzano (SUZB5, R$ 17,41, -2,41%) e Fibria (FIBR3, R$ 48,91, -1,37%), caíam, assim como a fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 24,50, -1,84%).

No noticiário da Embraer, a empresa pode fechar fábrica na China por baixa demanda. Segundo o presidente da Embraer Aviação Executiva, Marco Tulio Pellegrini, o desestímulo do governo chinês a produtos de luxo tem afetado a demanda por jatos privados. A fábrica chinesa da companhia pode fechar se a demanda esfriar após a empresa concluir entregas no final deste ano. "Não faz sentido ter uma fábrica se a demanda não está lá", disse Pellegrini à Bloomberg.

Vale (VALE3, R$ 18,42, -5,92%; VALE5, R$ 14,91, -4,85%) As ações da Vale e siderúrgicas tiveram um dia de baixa em meio à queda do preço do minério de ferro. As siderúrgicas CSN (CSNA3, R$ 4,00, -4,31%), Usiminas (USIM5, R$  3,95, -2,95%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,01, -3,38%) tiveram baixa, assim como a Bradespar (BRAP4, R$ 9,90, -5,98%).

Bancos Assim como o resto do mercado, as ações do setor bancário também azedaram nesta sextafeira, encerrando a semana com perdas de 6% cada. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,19, -2,93%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,45, -2,54%; BBDC4, R$ 25,28, -2,77%), Santander (SANB11, R$ 15,40, -5,87%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,48, -2,94%) caíram forte nesta tarde.

Mills (MILS3, R$ 5,95, -8,18%) A small cap Mills, companhia de produtos e serviços de engenharia, anunciou seu balanço do segundo trimestre após o fechamento de quinta-feira. A empresa, que reverteu lucro líquido em prejuízo líquido de R$ 8,2 milhões no período, registrava leve baixa pouco antes da Bovespa fechar na véspera. Mas, nos cinco minutos finais de pregão, os papéis dispararam 6,6% misteriosamente, sem nenhum motivo aparente, fechando em alta de 6,23%, a R$ 6,48. Da mesma forma que subiram, as ações devolvem todo o movimento nesta sessão, registrando neste momento queda superior a 8%.

Sobre o balanço, o BTG Pactual comentou ontem que foi fraco, abaixo do esperado no período, com receita totalizando em R$ 148 milhões, queda de 31% na comparação com o mesmo trimestre de 2014. "O cenário macroeconômico segue complicado, com pouca visibilidade no curto prazo", comentaram os analistas.

Cetip (CTIP3, 35,00, -1,66%) A Cetip viu suas ações registrarem baixa após a divulgação do balanço. A  maior central depositária de títulos privados da América Latina, reportou lucro líquido de R$ 118,7 milhões no período, aumento de 18,3% em relação ao mesmo período de 2014. O número veio em linha com a previsão média de analistas consultados pela Reuters, de lucro de R$ 119 milhões no período.

Iochpe-Maxion (MYPK3, R$ 13,14, +4,45%) As ações da Iochpe-Maxion subiram forte após o resultado. A empresa registrou lucro líquido de R$ 70,241 milhões, alta de 656,4% contra o mesmo período de 2014. A receita líquida da companhia foi de R$ 1,6 bilhão, aumento de 16,6% na mesma base de comparação. Juntamente com o balanço, a companhia disse que avalia captação no mercado internacional.

Tegma (TGMA3, R$ 7,60, -8,54%) As ações da Tegma atingiram o seu menor patamar em seis anos depois do balanço do segundo trimestre da companhia. A companhia registrou um lucro líquido de R$ 1,18 milhão no período, ante estimativa de R$ 2,1 milhões dos analistas consultados pela Bloomberg.

Even (EVEN3, R$ 3,03, +3,77%) As ações da Even subiram forte hoje. A receita líquida da empresa encerrou o período em R$ 502,5 milhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 79,9 milhões e sua margem de 15,9%. Comparando os primeiros seis meses deste ano com os de 2014, houve queda nos dois indicadores - 10% no Ebitda que saiu de R$ 168 milhões para R$ 151 milhões, e 0,4p.p. na margem, de 16,1% para 15,6%.

Segundo o Itaú BBA, o  'earnings momentum' da companhia e ROEs provavelmente permanecerão fracos após o redimensionamento dos lançamentos e o fato de que as vendas de estoques não devem melhorar significativamente no curto prazo.

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