Petrobras cai 6% e puxa Ibovespa
Segundo informações da Bloomberg, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, poderá querer uma compensação de até R$ 20 bilhões da estatal, estimativa inicial pela diferença entre o valor do barril usado na cessão onerosa em 2010 e o preço do combustível quando os campos do présal declarados comerciais; ações da estatal têm queda de 6% no pregão desta terça-feira
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Por Ricardo Bomfim
SÃO PAULO - O Ibovespa fecha em queda nesta terça-feira (19), estendendo as perdas da última sessão. O índice foi puxado por ações ligadas a commodities como Petrobras e Vale. No caso da mineradora, o minério spot no porto de Qingdao na China despencou, causando pressão negativa. Lá fora, as bolsas europeias subiram forte com declaração de dirigente do BCE (Banco Central Europeu) de que a autarquia irá acelerar a compra de títulos na Europa, aumentando a liquidez no mercado internacional. Já as norte-americanas ficaram praticamente estáveis.
O benchmark da Bolsa brasileira caiu 1,26%, a 55.498 pontos, enquanto o dólar comercial fechou na máxima do pregão, a 0,75%, a R$ 3,0407 na compra e a R$ 3,0412 na venda. No caso do mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2016 subia 0,04 ponto percentual, a 13,84%, enquanto o DI para janeiro de 2021 ficava estável, a 12,68%. O volume financeiro negociado no pregão foi de R$ 6,799 bilhões.
Para Luis Gustavo Pereira, analista-chefe da Guide Investimentos, a queda da Bolsa hoje é em grande parte produto das baixas das commodities e dos títulos do Tesouro norteamericano se firmando em alta. O minério de ferro 62% spot no porto de Qingdao, na China, caiu perto de 3,5%, a US$ 58,53 a tonelada. Ao mesmo tempo, o barril do petróleo WTI (West Texas Intermediate) recuou 4,09%, a US$ 57.
Também ficou no radar o arrefecimento do impulso em Petrobras e Vale puxado pelo fluxo de estrangeiros. "Uma realização é natural frente ao movimento recente", diz Luis Pereira. Na avaliação do analista, a divergência de políticas monetárias da Europa e dos Estados Unidos possibilita um trade que tem como efeito a valorização do dólar.
Contingenciamento em linha Em relatório divulgado ao mercado, a XP Investimentos lembra das afirmações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ontem, afirmando que o corte de custos do governo é necessário e confirmando que deve ser entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões, dependendo apenas se o governo conseguirá manter o fim das desonerações na folha de pagamento, que deve entrar na pauta da Câmara amanhã. Em reunião com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) ontem, líderes da base aliada se comprometeram a apoiar as Medidas Provisórias 663, que trata da capitalização do BNDES, e 665, que restringe acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial.
Com relação a este tema, o analista Luis Gustavo não vê surpresas nos números trazidos por Levy. "Se fosse menos iria decepcionar e mais poderia não ser factível", explica. Lembrando, no entanto, que a situação política tensa é o grande risco que as medidas de contenção de gastos e aumento de receitas correm.
Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) caíram perto de 6%. Com o fim oficial da temporada de balanços do primeiro trimestre, a petroleira volta novamente para os destaques. Segundo informações da Bloomberg, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, poderá querer uma compensação de até R$ 20 bilhões da estatal, estimativa inicial pela diferença entre o valor do barril usado na cessão onerosa em 2010 e o preço do combustível quando os campos do pré-sal declarados comerciais. De acordo com uma fonte com conhecimento direto nas negociações disse à agência, o valor ainda está sendo negociado e deve ser fechado no início do ano que vem.
Ainda hoje, a Petrobras informou que a produção total de petróleo e gás no Brasil em abril somou 2,596 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), alta de 0,8% sobre março. Segundo a estatal, a produção total de óleo e gás operada por ela no país, incluindo a das sócias, foi de 2,886 milhões de boed, volume 1,8% superior ao de um mês antes.
As ações da Vale (VALE3; VALE5) seguiram em queda em dia negativo no mercado doméstico. Acompanham o movimento as ações da Bradespar (BRAP4), holding que detém participação na mineradora. O minério de ferro 62% spot no porto de Qingdao, na China, caiu 3,5%, a US$ 58,53 a tonelada.
Também no lado negativo, a Ecorodovias (ECOR3) desabou após a companhia comunicar que a BRZ Investimentos, gestora da Logística Brasil, exerceu direito de opção de venda da totalidade de suas ações detidas pela Logística Brasil na Elog, o que fará com que 100% do capital desta última passe a ser detido pela Ecorodovias. A Logística Brasil tinha 20% do capital social votante e total da Elog.
O motivo da queda é por conta do valor pago pela operação, de R$ 214 milhões. Segundo cálculos do Brasil Plural, essa fatia vale apenas R$ 11,2 milhões, o que significa que houve destruição de valor R$ 202,8 milhões, ou R$ 0,40 por ação.
Entre as principais altas, por outro lado, estiveram as ações de frigoríficos. A alta vem com a visita ao Brasil do primeiro-ministro da China, Li Keqiang. Os dois países assinaram acordos para retirar a proibição da exportação da carne bovina brasileira à China. Na Bolsa, as ações da JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) aparecem entre as maiores altas do Ibovespa hoje.
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