Petro, inflação e Brasil!

Estes resultados negativos da Petrobras são apenas mais um capítulo de como o loteamento político atrapalha o desenvolvimento dos negócios



✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Aquele sentimento de que tudo acontece depois do Carnaval parece ser verdade. Para o mal ou para o bem, muita coisa aconteceu neste feriadão: de uma renúncia do papado Bento XVI, que acabou por pegar o noticiário de surpresa, até mesmo a publicação de dados da economia brasileira que começaram a aparecer.

As perspectivas traçadas em artigos iniciais agora começam a ser respondidas via dados, informações. Assuntos de cunho estratégico com reflexos a serem sentidos na política econômica apareceram de forma mais concreta nos últimos dias, mapeando a real situação.

A conta referente à interferência política e o loteamento realizado por Lula em empresas públicas faz com que nossa estatal do petróleo apresente vergonhosos índices de competitividade, perda de caixa, baixa lucratividade, além de resultados que decompõem os investimentos de milhões de pessoas físicas, via ações negociadas na Bovespa.

continua após o anúncio

Além disso, a queda dos papeis da Petrobras corroem de forma ainda mais impiedosa os valores trocados nas manobras fiscais realizadas pelo governo federal, prejudicando BNDES, Banco do Brasil, outras empresas e fundo de aposentadoria de funcionários públicos.

Infelizmente, a lição não parece ter sido compreendida e alguns cargos estratégicos da estatal, que ainda estão vagos ou ocupados por técnicos, parecem estar sob a mira do PMDB para ocupá-los, retirando os técnicos capazes de colocar os interesses nacionais acima de conluios e interesses específicos e substituindo por operadores da máquina eleitoreira.

continua após o anúncio

Espero que Dilma Rousseff consiga manobrar tal situação, porém, percebo que seu vigor ético parece diluído no caldeirão de interesses pró reeleição, confirmado pela aproximação de seu ex ministro, Alfredo Nascimento.

Graça Foster já indicou ao Ministro da Fazenda, Guido Mantega, sua preocupação com os resultados e reflexos da queda de geração de caixa da Petrobras. Caso o endividamento se agrave, a estatal poderá perder classificação de risco positiva a recepção de investimentos, o que agravaria a capacidade de investir e trilhar as rotas de crescimento necessárias para o pleno aproveitamento do pré-sal, por exemplo.

continua após o anúncio

Estes resultados de estrangulamento de caixa, endividamento crescente, possibilidade de perda de grau de investimento, e mesmo com o aumento da gasolina (onde já se projeta a expectativa de novo aumento), é apenas mais um capítulo de como o loteamento político, sem características técnicas e interferência governamental, atrapalham o desenvolvimento dos negócios.

A Petrobras já levou consigo diversas empresas a dificuldades que não eram esperadas. Cabe ponderar se houve otimismo exacerbado pelo lado do empresariado ou geração de expectativa superestimada pelo lado do governo. O fato é que investimentos e empresas ligadas ao setor de petróleo vêm falecendo dia a dia.

continua após o anúncio

Ainda dentro do panorama econômico, há temor sobre níveis inflacionários alarmantes, impulsionados pela alta da gasolina, serviços e outros.

É verdade que o resultado aferido em janeiro já estava previsto, mas veio acima do tolerável pela equipe econômica do governo, uma vez que os esforços do governo em segurar os níveis de inflação através de intervenção nas tarifas de serviços urbanos, reiteraram a falha na condução da política econômica e concretizou em mais uma medida paliativa e que não enfrenta o fato gerador.

continua após o anúncio

Tivemos uma deterioração da confiança institucional no Banco Central, e até mesmo rompemos, mesmo que ainda não de forma definitiva, a crença que o BC, se não independente legalmente falando, operacionalmente vinha cuidando dos níveis de inflação, independente de agradar ou não os anseios políticos do governo, e sim atingindo as metas inflacionárias.

Significa dizer que, agora, Tombini, presidente do BC, precisa romper o sentimento de inflação crescente, soterrar os devaneios de inflação inercial e buscar fatores concretos que retomem a meta inflacionária ao centro de forma mais convergente possível.

continua após o anúncio

As ações de combate à inflação não podem ser isoladas, nem passar por uma luta cambial e muito menos reservas burras de mercado, e sim consonantes ao que se refere a um mapa de resultados macroeconômicos capazes de retornar a confiança no Banco Central, no Ministro da Fazenda e na geração de bens de capital pelo lado privado, além da manutenção dos preços.

O primeiro sinal que a retomada do crescimento precisaria de uma nova reformulação foi o indicador que a indústria de bens de consumo não sofreu a mesma queda nos seus níveis de atividade que assolaram a indústria de bens de capital. Ou seja, o consumo pressionava em uma temperatura acima da concepção dos empresários em fornecer lenha para queimar esse motor econômico.

continua após o anúncio

Um cenário de inflação crescente, queda de desemprego e alto custo de produção fazem com que o governo tente cooptar a confiança dos empresários e estimulá-los a retornar os investimentos no país. Precisamos de ganhos de produtividade, de eficiência, de inovação produtiva.

É preciso ressaltar que a flexibilização das concessões privadas de rodovias e os leiloes portuários devem minimizar as travas ao crescimento econômico e reduzir os custos de produção. O governo precisa investir tempo e aglutinar os interesses da iniciativa privada.

O nível de inflação atual permanece dentro das previsões, ao teto da meta, porém, margeia de forma perigosa as expectativas de elevação do preço, rompendo a confiança depositada no zelador central de suas metas, ou melhor, teme-se uma perda irreversível da confiança depositada no Banco Central como zelador dos níveis inflacionários.

Há uma expectativa, chancelada pela OCDE, que o Brasil retornará à atividade econômica mais fortemente que a aferida em 2012.

Espero que os níveis de emprego continuem crescentes, mas que o governo consiga retomar as rédeas da confiança institucional do Banco Central. Isto é fator preponderante para que o país cresça e melhore seus níveis sociais, afinal de contas, a inflação agride mais fortemente as classes mais pobres da sociedade.

 

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247