“Pandemia escancarou nossa vulnerabilidade em relação à produção industrial”, avalia Ana Georgina Dias, supervisora do Dieese
“Além da desindustrialização, é também perda de posição onde tínhamos capacidade de produção”, disse a Supervisora técnica do Escritório Regional do Dieese na Bahia ao Pauta Brasil, que contou também com a presença do economista André Calixtre. Assista na TV 247
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247 - Supervisora técnica do Escritório Regional do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) na Bahia, Ana Georgina Dias, em participação no Pauta Brasil, programa da Fundação Perseu Abramo retransmitido pela TV 247, falou do processo de desindustrialização que vive o Brasil atualmente, repercutindo, por exemplo, o fechamento da fábrica da Ford em Camaçari (BA).
A empresa, conta Ana Georgina Dias, se instalou na cidade trazendo um complexo com impactos positivos para o estado e para a região metropolitana de Salvador. “Foi uma bomba. O simples anúncio da saída leva com ele milhares de outros empregos em diversos setores, não só na cadeia automotiva”.
Para a especialista, o caso da Ford “mostra que não temos como fazer o capital permanecer ou receber de volta a renúncia fiscal investida” e, por isso, é preciso “que existam metas de emprego, de permanência, para não ocorrer uma decisão unilateral, que impacta muito o estado como um todo”.
Do debate participou também o economista André Calixtre, que tratou ao lado de Ana Georgina da temática da desindustrialização precoce brasileira. Para ele, “as melhorias que ocorreram a partir de 2003 não resolveram a questão da desindustrialização, que com a pandemia assume contornos trágicos. As ‘soluções’ de Michel Temer aprofundaram o desemprego, depois, com [Jair] Bolsonaro, a pandemia gerou encurtamento do mercado de trabalho. Não é uma questão trivial a ser resolvida. E gera consequências estruturais”.
Política de industrialização
Ambos responderam se é possível construir uma política de industrialização do país, com novos setores da indústria, mais ligados a questões sociais.
Ana afirmou que a economia nacional caminha no sentido contrário. “Isso ficou claro nos governos Lula e Dilma, quando fizeram o Minha Casa, Minha Vida, e com esse programa gerava empregos ao mesmo tempo que movimentava várias cadeias industriais, de saneamento e infraestrutura, além do efeito importante de redução do déficit habitacional para as faixas menores”. No atual cenário, a supervisora do Dieese não acha provável concretizar algum programa desta magnitude, não com o governo atual, que busca retirar mais direitos e baratear a mão de obra. “A pandemia teve efeito de desnudar e escancarar a nossa vulnerabilidade em relação à nossa produção industrial, e como temos perdido espaço, até de indústrias que tínhamos posição sólida, como as farmacêuticas, por exemplo. Hoje só suprimos 5% do que temos de demanda. Além da desindustrialização, é também perda de posição onde tínhamos capacidade de produção”.
André, por sua vez, relembrou que o governo Bolsonaro é herdeiro do governo Temer, “radicalizado”, com desmontes do petróleo e gás, desorganização de várias cadeias produtivas com alta empregabilidade, em setores que vinham inclusive aumentando a massa salarial.
O Pauta Brasil, programa da Fundação Perseu Abramo, recebe especialistas, lideranças políticas e gestores públicos para discutir os grandes temas da conjuntura política brasileira. Os debates são realizados às segundas, quartas e sextas-feiras, sempre às 17h, e transmitidos ao vivo pela TV 247.
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