Os resultados da semana
Passada a euforia do 13º, a última semana trouxe alguns indicadores preocupantes ao que se refere à temperatura de nossa atividade macroeconômica
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Passada a euforia do décimo terceiro e voltando à realidade das relações econômicas, a última semana trouxe alguns indicadores preocupantes ao que se refere à temperatura de nossa atividade macroeconômica.
Infelizmente, a maior parte de nosso noticiário focou-se na manutenção da taxa SELIC, fato este já esperado pela maioria dos agentes do mercado, o que apenas confirmou os prognósticos já traçados.
O cenário de aceleração inflacionário e mudança nos patamares de investimento em renda fixa fizeram com que o governo ponderasse uma manutenção da taxa básica de juros de nossa economia.
A verdade é que deveremos monitorar a evolução do cenário atual, que, mesmo trazendo uma leve evolução das atividades econômicas, ainda não apresentam o resultado esperado e os índices inflacionários apontaram para uma leve alta. Uma notícia que agradou parte do governo federal foi a retomada da indústria no último trimestre de 2012 em comparação ao trimestre anterior. Porém, o indicador no acumulado do ano ainda decepciona e não carece de grandes comemorações.
Os números do PIB, divulgados pelo IBGE, reiterou nossa preocupação ao que se refere à atividade industrial em nossa economia e o aprofundamento da dependência agrícola. O PIB do setor industrial apresentou uma queda de 1,1% quando se comparado ao período anterior acumulado. Ou seja, o PIB industrial acumulado de 2012 está 1,1% abaixo do PIB industrial acumulado de 2011.
Além disto, a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) retrocedeu 5,6% neste mesmo período de comparação. De se destacar a importância o indicador de FBCF, que indica o movimento de confiança e ampliação produtiva principalmente dos industriários brasileiros, refletindo as compras e os investimentos em maquinários de transformação, que ampliam e melhoram nossa capacidade produtiva.
Parte desta queda pode ser atribuída à alta do dólar e à perda da competitividade dos equipamentos, que agora tornam o investimento mais arriscado e seu retorno mais demorado. Porém, não aceito este fator como explicação central para a queda. Segundo o IBGE, a queda da Formação Bruta de Capital Fixo se deve a queda das importações de máquinas e queda da fabricação dos equipamentos internamente.
A desidratação do PIB industrial reitera a preocupação e confirma a ausência da política estratégica macroeconômica de incentivar de forma firme e constante este setor, que vem definhando nos últimos tempos devido à condução restrita e míope do governo federal.
O sobressalto do último trimestre precisa ser analisado com calma, uma vez que pode ser apenas um resultado momentâneo e pontual de outra desoneração feita pelo Ministério da Fazenda. E reside nestas altas e baixas a falta de um plano completo de investimento industrial.
A aplicação de medidas pontuais não podem ser o tom de uma conversa mais ampla, e palpites e assopros não conseguirão concretizar resultados vistosos ao nosso parque industrial que precisa ser modernizado. As desonerações foram importantes para que a queda não fosse mais acentuada, mas precisamos de um horizonte de planejamento estratégico para que nossos empresários tenham a confiança institucional necessária para desenvolver sua capilaridade de ações.
Outro ponto importante para dinamizar nossa economia é investir no setor agrícola para que ele gere mais valor agregado, servindo-o de equipamentos modernos e técnicas de plantio inovadoras, garantindo uma redução de custos e melhorando o retorno do investimento.
Enquanto isso, o governo continua a gastar com sua máquina pública pesada, e estimula o consumo interno das famílias. É verdade que o indicador de consumo das famílias ainda continua positivo, o que indica otimismo e confiança das pessoas no crescimento econômico. O monitoramento do endividamento familiar também vem sendo feito, e mesmo com uma alta constante, não chegamos a patamares que trave o pleno funcionamento de nosso setor financeiro.
Significa, por assim dizer, que estamos ficando mais endividados, mas nossa dívida ainda está em patamares administráveis.
Não há em nosso país uma temeridade na perda de empregos e isso reforça a confiança das famílias em consumir e manter a econômica brasileira girando, uma vez que o cenário externo apenas degringola apoiado em uma austeridade cega européia. Muitas empresas nacionais não vêm conseguindo exportar sua produção, sendo obrigadas a canalizar sua produção para o mercado interno, que por enquanto, vem respondendo bem a tais estímulos.
Enfim, o setor agrícola novamente mostrou sua força em puxar nossa economia e fazê-la atingir um grau de crescimento econômico, que mesmo tênue, apresentou uma evolução. Precisamos melhorar a pauta agrícola, expandindo os investimentos neste setor e implantar uma política de aprimoramento industrial para que não fiquemos dependentes apenas da agricultura. A diversificação do PIB e a geração de valor nas cadeias produtivas (agrícolas e industriais) são partes fundamentais no desenvolvimento econômico e social.
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