Odebrecht se coloca à disposição da Justiça
Empreiteira publica informe publicitário, assinado pelo presidente Marcelo Odebrecht, para tentar conter os efeitos da Operação Lava Jato; "Eu, pessoalmente, como Diretor-Presidente, coloco a Organização à disposição para esclarecer qualquer dúvida que as autoridades e a mídia brasileira tenham com relação a qualquer denúncia", diz a nota; empreiteira foi acusada por Paulo Roberto Costa de lhe pagar uma propina de US$ 23 milhões; Marcelo fala em "acusações covardes" e diz ter confiança "em todos os nossos Integrantes", mas pode ser atingido pela Lei Anticorrupção, que pune corruptores
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247 - Confrontada com a delação premiada de Paulo Roberto Costa, que a acusou de lhe pagar uma propina de US$ 23 milhões, já devolvida aos cofres federais, a Odebrecht, maior empreiteira do País, deu início, nesta segunda-feira, a um esforço de comunicação para tentar sair da defensiva.
Numa nota assinada pelo acionista e presidente Marcelo Odebrecht, a construtora se coloca à disposição da mídia e das autoridades "para esclarecer qualquer dúvida que as autoridades e a mídia brasileira tenham com relação a qualquer denúncia sobre estes fatos que a todos nos assusta".
"Quero deixar registrada aqui minha indignação com estas acusações covardes que sofremos, mas, acima de tudo, assegurar minha total confiança em todos os nossos Integrantes", diz, ainda, Marcelo Odebrecht, em outro trecho da nota.
De todas as construtoras brasileiras, a Odebrecht é, hoje, a que vive a situação mais delicada. Ao que tudo indica, Paulo Roberto Costa entregou provas cabais em sua delação premiada. Até porque, caso esteja mentindo, perderá todos os benefícios do acordo judicial e retornará à prisão. Além de devolver os recursos da propina supostamente paga pela empreiteira de Odebrecht, ele entregou extratos bancários que indicam a procedência dos recursos.
Caso se confirme mesmo que a propina foi paga pela Odebrecht, tanto a construtora como seu presidente poderão ser atingidos pela nova Lei Anticorrupção, que pune, com penas severas, empresas corruptoras. Embora Marcelo Odebrecht tenha falado da sua confiança em "todos os nossos Integrantes", um pagamento de US$ 23 milhões, em qualquer empresa do mundo, jamais seria feito sem o conhecimento e o consentimento dos acionistas.
Leia, abaixo, a nota publicada pela empresa:
Nota de Esclarecimento 04/10/2014
Como Diretor-Presidente da Odebrecht S.A. venho a público manifestar minha indignação, e de toda a Organização, com informações inverídicas veiculadas na imprensa, em prejuízo de nossa imagem e atacando covardemente nossos Integrantes.
A euforia de se publicar notícias de impacto em período eleitoral extrapolou o razoável. Os fatos veiculados baseiam-se em supostos vazamentos de informações protegidas por sigilo judicial, as quais não se pode ter acesso. Com isso, a Organização fica alijada do teor das informações e covardemente impedida de contestar estas inverdades. Neste cenário nada democrático, fala-se o que se quer, sem as devidas comprovações, e alguns veículos da mídia acabam por apoiar o vazamento de informação protegida por lei, tratando como verdadeira a eventual denúncia vazia de um criminoso confesso e que é "premiado" por denunciar a maior quantidade possível de empresas e pessoas.
A reportagem da última edição da revista Época ilustra essa irresponsabilidade da qual a Odebrecht vem sendo alvo. Nesta reportagem, os fatos notórios e públicos como o contrato do consórcio CONEST, liderado pela Odebrecht, com a Petrobras para a construção da refinaria Abreu Lima, conquistado em processo licitatório pelo critério de menor preço, num certame com a participação de mais de uma dezena de empresas e consórcios, são desvirtuados para um contexto irreal e fantasioso.
A revista utiliza o artifício de publicar imagem de extrato de contrato público para demonstrar a existência de prova documental e, com isso, tentar justificar a veracidade da história criada. Ocorre que este documento, longe de representar, como se pretendia, a comprovação de suas “denúncias”, é algo público, um mero extrato do contrato entre a Petrobras e o consórcio vencedor.
Considero esse viés adotado nas notícias nesses últimos dias deslocado do cenário democrático institucional do Brasil atual, pois prejudica o direito da empresa de manter um diálogo transparente com a sociedade.
É de extremo interesse da Odebrecht que os fatos sejam apurados com rigor e, para tanto, a Organização e seus Integrantes, ao longo de seus 70 anos de história, estão e sempre estiveram à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sempre que necessário. Eu, pessoalmente, como Diretor-Presidente, coloco a Organização à disposição para esclarecer qualquer dúvida que as autoridades e a mídia brasileira tenham com relação a qualquer denúncia sobre estes fatos que a todos nos assusta.
Quero deixar registrada aqui minha indignação com estas acusações covardes que sofremos, mas, acima de tudo, assegurar minha total confiança em todos os nossos Integrantes.
Marcelo Odebrecht
Diretor-Presidente da Odebrecht S.A.
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