O outro lado do rio
Para conquistar a marca de 16 anos de governo, a presidente precisa garantir sua reeleição, e conforme a ponte se constrói entre o hoje e o futuro, faz-se necessário amarrar a economia nacional a bons indicadores
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O horizonte mostra uma paisagem linda. Imensamente desenvolvida, livre e institucionalmente organizada. As bases políticas se organizam em prol do bem comum e não de apenas interesses e trocas motivadas por aprovação de projetos políticos individualistas.
Há uma economia estabilizada com fluxo de capitais livres e abertura comercial ampla.
No meio do caminho há um riacho, de grandes corredeiras, traiçoeiro e profundamente adverso, cheio de disputas individuais, ideologias isoladas e despreocupação com um planejamento centrado no desenvolvimento social e econômico.
Para chegar ao outro lado e se postar no paraíso, precisa-se construir uma ponte sólida, moderna, com bases firmes e de envergadura única. Neste exercício, a passagem mostra basicamente o dilema enfrentado pelo governo Dilma. Para chegar à reeleição, conquistar a marca de 16 anos de governo, a presidente precisa garantir sua reeleição, e conforme a ponte se constrói entre o hoje e o futuro, faz-se necessário amarrar a economia nacional a bons indicadores.
A construção deste caminho passa por dificuldades que superam os traços da economia de mercado e tange a evolução social das relações envolvidas. Significa dizer que, para que tenhamos este salto, entre o hoje e o amanhã, o governo precisará de fato escrever o novo capítulo da política econômica nacional.
Mesmo tentando adiar este passo ao máximo, o governo Dilma precisará tomar uma decisão final sobre como pretende aplicar sobre nosso país seu modelo econômico.
O caminho para um novo tempo, para um novo mundo econômico é visível. Precisamos desencarnar a burocracia, restabelecer instituições livres e democráticas, com uma economia aberta e integrada. Esta "paisagem linda" está do outro lado da ponte que precisa ser construída pelos atuais movimentos do governo, agora, muito mais próximo da população do que antes.
Estamos em um lado seguro, que veio se construindo desde a estabilização econômica e a evolução do Estado. Agora, estamos precisando de expansão, precisando escrever e construir um novo caminho que nos ligue até um mundo econômico melhor. As distorções que foram montadas na dinâmica econômica nacional atrapalharam a percepção real da economia pelo olhar governamental: manobras de uma contabilidade criativa; deterioração das contas externas; implacável ruptura da livre circulação do câmbio; destruição do parque industrial nacional; proteção destrutiva das indústrias nacionais via perda de produtividade.
Ao seguir por este caminho, Dilma conseguiu perder a mão do controle econômico, que, mesmo iniciado por Lula ao que se refere às contas públicas, fora acentuado em sua gestão.
Lula tem como sua marca uma inclusão social muito forte, manobrando em prol de uma expansão da economia formal, fato este que lhe garantiu capital político para se contrapor ao inicio de uma deterioração das contas publicas. Dilma não goza de um bônus social que possa ser utilizados para se contrapor aos devaneios por ela ampliados.
Há uma crescente preocupação sobre a forma com que o Brasil se posicionará após a retração do FED aos estímulos de sua economia.
A enxurrada de dólares cessará, e a escalada dos preços da moeda estadunidense será crescente.
Neste ponto, é necessário que Dilma observe os movimentos ruins da economia e construa de uma vez por todas esta ponte de ligação entre a estabilidade econômica e a modernização da relação Estado x iniciativa privada. Não há margem nem capital político para um cenário ruim. A população tem consciência do potencial econômico e de onde que chegar.
O crescimento da insatisfação com o governo é um reflexo direto dos resultados econômicos, distanciamento social e perda de capital político.
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