Nobel de Economia vê risco de recessão global em 2014

Segundo Eugene Fama, déficits públicos inchados nos dois lados do Atlântico significam que a recessão continua sendo um risco real; para ele, os governos altamente endividados nos Estados Unidos e na Europa representam uma ameaça constante para a economia global

University of Chicago professor Eugene F. Fama smiles at a news conference after it was announced he won the 2013 Nobel Prize in Economics in Chicago, October 14, 2013. Fama is sharing the prize with American scientist Robert Shiller and colleague Lars Ha
University of Chicago professor Eugene F. Fama smiles at a news conference after it was announced he won the 2013 Nobel Prize in Economics in Chicago, October 14, 2013. Fama is sharing the prize with American scientist Robert Shiller and colleague Lars Ha (Foto: Roberta Namour)


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Reuters - Um dos três norte-americanos que venceram o Prêmio Nobel de Economia deste ano disse que déficits públicos inchados nos dois lados do Atlântico significam que a recessão continua sendo um risco real em 2014.

Eugene Fama, que dividiu a premiação de 9 milhões de coroas suecas (1,2 milhão de dólares) deste ano com Robert Shiller e Lars Peter Hansen, disse neste sábado que os governos altamente endividados nos Estados Unidos e na Europa representam uma ameaça constante para a economia global.

"Pode chegar o ponto em que os mercados financeiros dirão que nenhuma dessas dívidas tem credibilidade mais e eles não poderão se financiar", disse ele à Reuters na capital sueca, onde receberá o prêmio na terça-feira.

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"Se houver outra recessão, será mundial", acrescentou.

Fama, que tem sido chamado de pai das finanças modernas e dividiu o prêmio por sua pesquisa sobre preços de mercado e bolhas de ativos, minimizou o dado positivo sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos divulgado nesta semana.

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"Não estou tranquilizado, de forma nenhuma", comentou.

A taxa de desemprego nos EUA caiu para 7 por cento, a menor em cinco anos, em novembro, e as empresas contrataram mais do que se esperava.

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"A recuperação do mercado de trabalho tem sido terrível. A única razão para a taxa de desemprego ser de 7 por cento, que é alta para os padrões históricos dos EUA, é que as pessoas desistiram de continuar a procurar emprego", disse.

"Simplesmente não acho que vamos sair (da recessão) muito bem", completou.

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Fama, que em 1970 argumentou que os mercados são eficientes e que os preços refletem todas as informações publicamente disponíveis, disse que dará o dinheiro de seu prêmio à Universidade de Chicago, onde é professor.

Questionado sobre os recentes altos preços dos mercados de ações, Fama disse acreditar que as empresas se tornaram muito mais eficientes depois da crise financeira de 2008-2009.

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"A resposta das empresas após a recessão foi tornarem-se mais enxutas, tornarem-se mais eficientes e elas ficaram bastante lucrativas, então seus preços continuam a se apreciar", disse.

A teoria de Fama implica que nada pode sistematicamente superar o desempenho do mercado. Ele disse que mantém todos seus investimentos pessoais em fundos indexados, um tipo de fundo que acompanha o desempenho de um índice do mercado, como o S&P 500.

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(Reportagem de Mia Shanley e Ilze Filks)

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