Nem a maconha escapa do apetite voraz da indústria de agrotóxicos e transgênicos

Plantas modificadas geneticamente em laboratórios clandestinos e o uso de venenos nunca testados colocam em risco a saúde de quem faz uso recreativo ou medicinal

Plantas modificadas geneticamente em laboratórios clandestinos e o uso de venenos nunca testados colocam em risco a saúde de quem faz uso recreativo ou medicinal
Plantas modificadas geneticamente em laboratórios clandestinos e o uso de venenos nunca testados colocam em risco a saúde de quem faz uso recreativo ou medicinal (Foto: Aquiles Lins)


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Cida de Oliveira, da RBA - Quem recorre ao canabidiol contra os efeitos adversos da quimioterapia, para o tratamento de doenças como esquizofrenia, Parkinson e epilepsia, entre outras, ou quem faz uso recreativo da maconha, pode estar exposto a muito mais do que os efeitos desejados da Cannabis sativa.

É grande a chance de estar sendo envenenado com resíduos de agrotóxicos presentes na planta, que a longo prazo causam graves males, como câncer, alterações endocrinológicas e até mesmo aquelas ligadas ao sistema nervoso central, que estariam sendo tratadas.

Isso sem contar a possibilidade de a erva ser geneticamente modificada, escondendo em cada gota de extrato ou tragada inúmeros riscos certeiros, cuja gravidade ainda não foi totalmente descrita pela ciência.

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Essas notícias, um tanto desanimadoras, vêm do Canadá. De acordo com a legislação vigente, as folhas da maconha não devem ser tratadas antes, durante ou após o processo de secagem com agrotóxicos que não tenham sido devidamente testados e registrados para essa finalidade específica.

No entanto, entre os agrotóxicox liberados pelas autoridades sanitárias para aplicação na cannabis, sete contêm substâncias que, ao serem queimadas, liberam partículas tóxicas. É o caso do bicarbonato de potássio e outros sais de potássio, que quando aquecido e inalado pode causar efeitos colaterais graves, como confusão, batimentos cardíacos irregulares, forte dor estomacal, vômitos, diarreia e ansiedade. Está no grupo o agrotóxico Actinovate SP, da Monsanto, composto em sua maioria (99%) por "outros ingredientes".

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Especialistas consultados pela reportagem afirmam que é impossível identificar e testar esses "outros ingredientes". Tampouco saber quais são os efeitos colaterais trazidos por alterações físico-químicas ocorridas nas folhas durante a queima, bem como a inalação de tantos ingredientes desconhecidos combinados às já conhecidas substâncias nocivas por mínima que seja a dosagem.

Lucros
Também vem do Canadá a informação de uma patente depositada pela Tweed Co., que manipulou geneticamente a Cannabis para aumentar seu teor de tetrahidrocanabidinol (THC), um dos cerca de 400 compostos que é utilizado em diversos medicamentos. A notícia não deixa de ser bem vinda para os usuários recreativos porque se trata também da principal substância psicoativa.

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A Monsanto, que sempre aparece na história quando o assunto é agrotóxicos e transgênicos, teria iniciado o desenvolvimento de duas plantas geneticamente modificadas para resistir ao herbicida glifosato, que ela própria fabrica. Oficialmente, a companhia nega que esteja investindo em biotecnologias para essa finalidade.

Não faltam motivos para duvidar do posicionamento da empresa recentemente comprada pela alemã Bayer. Em relatório, a consultoria Greenwave Advisors estima que o emergente setor da maconha, caso a erva seja legalizada em todo o território norte-americano, poderá ser uma indústria com receitas da ordem de US$ 35 bilhões até 2020. Isso é mais que as receitas obtidas com a publicação de jornais e pela indústria de confeitaria.

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Circulam também rumores da existência de uma maconha supostamente transgênica, desenvolvida em laboratórios clandestinos nos Estados Unidos e na Holanda, que estaria sendo cultivada no Paraguai desde 2003.

"Seriam plantas com maior concentração de THC e que estariam prontas para a colheita em metade do tempo que leva a planta convencional, o que significa duplicar a produção no mesmo espaço de tempo", diz o pesquisador aposentado da Embrapa e atualmente convidado do Laboratório de Engenharia Ecológica da Unicamp, José Maria Gusman Ferraz.

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Considerando essa experiência como um ensaio para grandes corporações, ele acredita que poderiam vir a ser incorporados a resistência aos agrotóxicos e o aumento da concentração de alguns dos mais de 50 componentes presentes no princípio ativo da maconha convencional.

"Mas há a possibilidade de outras alterações indesejáveis e danosas na planta. Quando mudamos o seu metabolismo, ocorrem inúmeras outra alterações que não são controladas e nem têm como ser avaliadas para a liberação. Portanto, existe risco de se produzirem efeitos colaterais nesta novas plantas e em tudo o que vier a ser feito com a sua utilização. E a exemplo do que acontece com outros transgênicos, vir a contaminar geneticamente as populações nativas, reduzindo sua biodiversidade", explica o pesquisador que é um dos autores do livro Lavouras Transgênicas – Riscos e Incertezas.

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Viagem
Nessa perspectiva, segundo ele, quem faz uso recreativo, corre vários riscos. Como o de não saber mais se o efeito da velha e combatida maconha, agora cultuada e luxuosamente embalada, quiçá com o T de transgênico da embalagem do pacau ou bagulho agora promovido a cigarro.

Ex-integrante da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela liberação de organismos geneticamente modificados, Ferraz faz especulações espirituosas caso a maconha transgênica desembarcasse no Brasil.

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"Talvez fosse mais divertido se houvesse uma avaliação do produto durante a plenária. Seguramente iríamos ouvir confissões inusitadas em um ambiente muito mais descontraído."

Ele arrisca um palpite: "O grupo minoritário na Comissão, que zela pelo cumprimento das regras de biossegurança e do princípio da precaução, certamente ficaria com a fama de careta por se recusar a degustar um produto que ainda não tem a comprovação de sua segurança à saúde e ao meio ambiente. E votaria contra".

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