Negócios criminosos
De repente, empresas tidas como sólidas e sérias mostram que serviam nada mais, nada menos para ludibriar seus clientes que facilmente caíram nas promessas de grandes ganhos. Exemplos não faltam
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Uma empresa aparentemente sólida oferecendo negócios imperdíveis. Um forte foco na construção detalhada da imagem da corporação. Donos, em geral, que vivem uma vida repleta de vinhos caríssimos, carros de luxo e que possuem ligações com chiques, poderosos e famosos. De repente, empresas tidas como sólidas e sérias mostram que serviam nada mais, nada menos para ludibriar seus clientes que facilmente caíram nas promessas de grandes ganhos e na certeza de estarem fazendo um excelente negócio.
Exemplos não faltam: Banco Santos, Boi Gordo e até mesmo gigantes como a Enron, que do dia para a noite revelaram-se grandes farsas. Artigo acadêmico produzido por Ana Paula Paulino da Costa e Thomaz Wood Jr. mostra que empresas que realizam grandes fraudes operam, na verdade, um modelo de negócio criminoso. Este modelo está calcado em escolher um nicho de mercado, por exemplo, investimento, gado, energia.
Possuir práticas de negócios agressivas que em geral geram retornos acima da média de mercado. Contar com fortes conexões políticas. Elaborar práticas contábeis fraudulentas. Centralizar as decisões na mão de poucos e oferecer remuneração agressiva para atrair os melhores talentos. Possuir um grande cuidado com a imagem, tanto da empresa como dos donos da organização criminosa. Um enredo conhecido. A consequência é uma empresa que foi crida apenas para lesar os demais, com plena consciência de seus gestores e idealizadores.
O resultado todos nós sabemos: um grande golpe aplicado na praça, milhares de clientes lesados e dinheiro público, em geral, jogado no lixo. O interessante que é destacado no artigo é a questão do espetáculo e jogo de imagens e de cena envolvidos neste tipo de fraude. Há um arranjo simbólico cuidadosamente preparado para passar uma imagem de solidez, riqueza e prosperidade.
Em um mundo onde a imagem vale muito mais do que a essência, as empresas fraudulentas e criminosas têm um campo fértil para operar e seguir enganando as pessoas. Em nome do glamour, empresários atuam como verdadeiros criminosos. E o pior, no Brasil contam com a certeza da impunidade uma vez que advogados caros são contratados, mestres de todas as artimanhas para protelar a Justiça.
As grandes fraudes corporativas são resultado da adoção de um modelo de negócios criminosos e de um contexto social onde a imagem é tudo. Empresas fraudulentas apenas levam ao limite a característica central do mundo empresarial: a sede e a ganância por mais e mais. A conta final quem paga somos nós.
Rafael Alcadipani é professor adjunto da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas
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