Nassif: PSDB ameaça retomada econômica

"Nem Serra nem FHC dependem do clima econômico para suas atividades. Portanto nada tem a perder com a desestruturação da economia, com a demora para a sua normalização. Pelo contrário, quanto mais desestabilizada a economia, mais fraco o governo, melhor para seus objetivos", diz o jornalista Luis Nassif, que critica a estratégia do "quanto pior, melhor" mantida pelo PSDB

"Nem Serra nem FHC dependem do clima econômico para suas atividades. Portanto nada tem a perder com a desestruturação da economia, com a demora para a sua normalização. Pelo contrário, quanto mais desestabilizada a economia, mais fraco o governo, melhor para seus objetivos", diz o jornalista Luis Nassif, que critica a estratégia do "quanto pior, melhor" mantida pelo PSDB
"Nem Serra nem FHC dependem do clima econômico para suas atividades. Portanto nada tem a perder com a desestruturação da economia, com a demora para a sua normalização. Pelo contrário, quanto mais desestabilizada a economia, mais fraco o governo, melhor para seus objetivos", diz o jornalista Luis Nassif, que critica a estratégia do "quanto pior, melhor" mantida pelo PSDB (Foto: Leonardo Attuch)


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247 - Em artigo publicado no jornal GGN, o jornalista Luis Nassif critica a estratégia de desestabilização política, empreendida pelo PSDB, com reflexos negativos na economia. Leia abaixo:

Como FHC ameaça a recuperação econômica

Até os anos 90, o PT foi um partido que, na oposição, jogava exclusivamente no negativismo. Foi contra assinar a Constituição, insurgiu-se contra o Plano Real, resistiu contra a desburocratização da economia e montou uma exercício continuado de disseminação de dossiês.

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Naqueles tempos, o PSDB despontava como o lado racional, supostamente um partido de técnicos, intelectuais, com visão socialdemocrata, tão contra o dogmatismo que, quando Fernando Collor abriu as portas de seu governo, o então senador Fernando Henrique Cardoso e o deputado José Serra entraram em desabalada carreira porta a dentro. Foi preciso um safanão do então governador Mário Covas para conter seu ímpeto.

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Quando o PT tornou-se poder, imaginou-se que finalmente o país caminharia para o aperfeiçoamento democrático. Como poder, o PT deixaria de lado o estilo carbonário. E, já tendo sido poder, o PSDB montaria uma oposição de peso, sem resvalar para a busca da desestabilização política – como ambos os partidos fizeram no impeachment de Collor.

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O que se passa hoje no jogo político tucano – especialmente com FHC e Serra – é a reedição da irresponsabilidade petista. Com a diferença que o PT praticou o estilo carbonário na infância; e FHC e Serra exercitam na decrepitude.

Passada a guerra eleitoral, há um enorme desafio econômico pela frente, demandando bom senso, equipe econômica de peso, pacificação das guerras políticas no interesse de todos.

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Em países maduros, o governo empreenderia as mudanças de rumo e a oposição permaneceria crítica, apontando erros e apresentando-se como alternativa. Depois do período da graça – que todo governo recebe – voltar-se-ia à carga, mas sem visar a desestabilização política econômica.

O governo sendo ou não bem sucedido, a partir do segundo ano a oposição já começaria a se preparar para a próxima campanha eleitoral, construindo candidaturas e propostas.

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Não é esta a intenção de FHC e José Serra.

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Ambos estão empenhadíssimos no “terceiro turno”, visando a qualquer custo manter o clima de guerra e desestabilizar politicamente o país.

Em seu artigo semanal para o Estadão, FHC insiste na tese da ilegitimidade do governo. É a mesma levantada em 1964 para justificar as ilegalidades dos Atos Institucionais.

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A eleição de Dilma foi legal, mas não foi legítima, buzina o ex-príncipe dos sociólogos brasileiros. A legalidade não nos defende do bolchevismo, bradavam os generais que assinaram o Ato Institucional número 1. Se somos a parte legítima – pensam ambos – temos que nos sobrepor à parte legal.

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É importante entender quem ganha ou quem perde com esse jogo.

Nem Serra nem FHC dependem do clima econômico para suas atividades. Portanto nada tem a perder com a desestruturação da economia, com a demora para a sua normalização. Pelo contrário, quanto mais desestabilizada a economia, mais fraco o governo, melhor para seus objetivos. 

Perderão as empresas como um todo, o mercado, o emprego, pagando o óbolo da ambição de dois políticos que, até pela idade, nada mais têm a ambicionar, que não a revanche, a vingança.

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Há enorme dificuldade do cidadão comum em entender as implicações econômicas desses processos. Quando sobrevier o desemprego e a recessão, talvez caia a ficha.

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