Movidos a petróleo

A mesma riqueza que transformou Chávez em mito abre uma guerra federativa inédita no Brasil



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Desde o advento da revolução industrial, na Inglaterra do século 18, o petróleo se colocou no epicentro de guerras, revoluções, golpes, crises e, também, desenvolvimento. Ao norte, esse elemento natural permitiu, na Venezuela maior produtora da América Latina, a evolução ao estágio de mito, depois de 14 anos de governo, do presidente Hugo Chávez, morto na semana passada.

Com recursos da exportação de petróleo para o mundo todo, inclusive para os Estados Unidos, a preços de mercado, e Cuba, em escambo por médicos e verniz ideológico, Chávez baixou em dez vezes os índices de mortalidade infantil, universalizou o acesso à educação e, com os ganhos sociais alcançados, venceu 15 das 16 eleições populares que disputou. Sempre com margem de 10 a 20 pontos percentuais e observadores internacionais a classificarem os pleitos de limpos.

Sabe-se agora que seu corpo ficará insepulto, embalsamado para ser visto numa urna de cristal, como quer o sucessor Nicolas Maduro, num gesto de culto à personalidade que remete aos tempos áureos da União Soviética de Lenin e Stálin. Sem o petróleo, Chávez não teria se tornado uma lenda.

É o petróleo, também, que escancarou, na semana passada, a verdadeira guerra federativa vivida no Brasil. Não se tem notícia de sessão recente mais tumultuada do Congresso Nacional como a que foi conduzida pelo senador Renan Calheiros entre a noite da quarta-feira 6 e a madrugada da quinta-feira 7. Eram todos contra, basicamente, as bancadas do Rio de Janeiro e Espírito Santo, com torcida a favor delas dos parlamentares paulistas. O que poderia, no entanto, ser um tranquilo massacre numérico, na derrubada dos vetos da presidente Dilma sobre a pulverização dos royalties do pré-sal, transformou-se numa batalha em recinto fechado na qual sobrou falta de decoro.

Os derrotados, que se retiraram do plenário em protesto, entraram no STF pela anulação da sessão, abrindo novamente o debate sobre a interferência entre poderes.

Ocorre que o petróleo desperta paixões em quem o possui na exata medida em que proporciona riqueza e prosperidade, assim como produz ódio e rancor em quem dele é suprimido. A fissura entre os Estados brasileiros aberta pela disputa dos royalties do chamado ouro negro tende se abrir ainda mais se não houver compensações para quem perdeu e regras para o uso dos futuros recursos para quem levou a melhor. Do jeito que está, em lugar de unir, como aconteceu na década de 1950, o petróleo está rachando irremediavelmente o Brasil do século 21.

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