Mesmo prevendo rombo recorde, meta fiscal não será cumprida
Michel Temer e sua equipe não conseguirão sequer cumprir a desastrosa meta fiscal, que já previa um rombo recorde; as sucessivas frustrações na arrecadação federal - em maio a receita foi a pior em sete anos para o mês - tornam o cumprimento da meta fiscal, de um déficit primário de R$ 139 bilhões, cada vez mais dependente de receitas extraordinárias
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247 - As sucessivas quedas na arrecadação federal- em maio a receita foi a pior em sete anos para o mês - tornam o cumprimento da meta fiscal, de um déficit primário de R$ 139 bilhões, cada vez mais dependente de receitas extraordinárias. E cada vez mais distante de ser cumprida.
As informações são de reportagem de Marta Watanabe no Valor.
A Instituição Fiscal Independente estima para 2017 um total de R$ 71,9 bilhões em receitas extraordinárias. Gabriel Leal de Barros, diretor adjunto do instituto, diz que as receitas esperadas com as diferentes rodadas de "Refis", como são chamados os parcelamentos tributários, chegam a R$ 25,5 bilhões, valor que representa 36% dos recursos extraordinários projetados para o ano. Desse montante, estima-se que R$ 15,55 bilhões devem ser arrecadados por conta de edições passadas de Refis, em programas de 2009, 2013 e 2014. Analistas ponderam que muitas das receitas extraordinárias oferecem risco, como concessões e permissões e principalmente as que devem resultar de Medidas Provisórias ainda sujeitas a alterações, como o novo Refis.
Carlos Kawall, economista-chefe do Banco Safra, considera, que o cumprimento da meta depende também da redução de despesas discricionárias e do sucesso de uma série de medidas. Entre os episódios mais recentes que podem afetar negativamente, ele cita as pressões mais fortes para redução de pagamentos no novo Refis e também a chamada MP da reoneração da folha de pagamentos. Na última terça-feira o relator da Medida Provisória 774, senador Airton Sandoval (PMDB-SP), propôs que a reoneração seja adiada para janeiro de 2018.
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