Mercosul vê acordo próximo com a UE e anúncio pode sair na próxima semana

Arrastando-se há mais de 20 anos, as negociações entre a União Europeia e o Mercosul para um acordo econômico podem estar próximas de um desfecho; o Mercosul está confiante de que um acordo será anunciado na próxima semana, apesar da resistência dos agricultores europeus para permitir importações de carne sem tarifa, disse um funcionário sul-americano nesta terça-feira

Bandeiras do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, durante a primeira reuni„o do Mercosul.
Bandeiras do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, durante a primeira reuni„o do Mercosul. (Foto: Giuliana Miranda)


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Da Sputnik Brasil

O Mercosul está confiante de que um acordo com a União Europeia (UE) será anunciado na próxima semana, apesar da resistência dos agricultores europeus para permitir importações de carne sem tarifa, disse um funcionário sul-americano nesta terça-feira.

"Há mais de 70% de chances de chegar a um acordo", disse a fonte próxima às negociações que se prolongaram por quase duas décadas, em entrevista à Agência Reuters. Ele pediu para não ser identificado devido ao estágio sensível nas negociações.

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O acordo o Mercosul e a UE seria anunciado à margem da reunião da Organização Mundial de Comércio (OMC), que acontece na próxima semana em Buenos Aires, e poderia ser assinado em meados de 2018, uma vez que todos os aspectos técnicos legais tenham sido verificados.

Os negociadores trocaram ofertas melhoradas em Bruxelas na terça-feira, embora não incluíssem novas ofertas da UE para importações da carne bovina e do etanol da América do Sul, os maiores obstáculos para um acordo.

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Essas ofertas serão feitas em Buenos Aires, provavelmente no próximo domingo antes da reunião da OMC, disse o funcionário.

Os membros do Mercosul, o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai estão pressionando por uma melhoria da oferta da UE de importações sem tarifas para 70 mil toneladas por ano de carne e 600 mil toneladas de etanol por ano. Além disso, os países reclamam que é menor do que a oferta de 100.000 toneladas oferecida pela UE em 2004, embora os negociadores da UE digam que os europeus comem menos carne hoje.

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"Estou bastante confiante de que as coisas estão em uma boa pista", disse a fonte do Mercosul. "A carne e o etanol serão problemas difíceis para os ministros na próxima semana, mas encontrar cotas para ambos não está além do alcance".

Ele acrescentou, no entanto, que não esperava que o Mercosul desejasse fechar em qualquer coisa abaixo de 100 mil toneladas de carne bovina. A incapacidade de acabar com a luta contra a carne bovina ameaçou empurrar as negociações comerciais além de um prazo de fim de ano e levar a novos anos de atrasos.

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Os 30% finais

A Comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmstrom, disse na terça-feira que as partes estão próximas de um acordo.

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"Estamos empenhados em fazer isso o mais rápido possível porque estamos quase lá e porque há um impulso e, porque no próximo ano, se isso for muito longo, haverá campanhas eleitorais e correremos o risco de perder esse impulso", disse ela.

A resistência às importações de carne bovina da América do Sul vem de países agrícolas como a França, a Irlanda e a Polônia. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a França não teve pressa em chegar a um acordo com o Mercosul.

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A Associação de Agricultores da Irlanda chamou as negociações comerciais com o Mercosul de "tóxicas" e disse que o mercado europeu da carne está sendo sacrificado por um acordo com o bloco sul-americano. Já o poderoso lobby do agronegócio do Brasil, a CNA, refuta essa afirmação.

"Nossas exportações de carne para a UE são apenas 5% do mercado europeu. É difícil acreditar que isso possa impedir um acordo", disse Ligia Dutra, chefe de relações internacionais da CNA.

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Dutra disse que outros setores agrícolas europeus têm muito a ganhar com um acordo que terá benefícios mútuos para ambos os lados.

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