Mendonça de Barros diz que rentismo não vai sobreviver com "três anos de juros zero"
Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações e do BNDES no governo FHC, afirmou que a decisão do banco central americano de manter os juros em zero por três significa dizer que o rentismo "não vai ter renda financeira em três anos"
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247 - O ex-presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ex-ministro das Comunicações no governo FHC, Luiz Carlos Mendonça de Barros, reclamou da baixa dos juros em meio à afirmou que, segundo ele, aumenta a falta de previsibilidade do rentismo em meio à crise econômica causada pela pandemia da covid-19.
"Há um cenário de juros que está mais complicado ainda. O Fed (banco central americano) sinalizou esta semana que manterá os juros em zero por três anos. Isso é uma coisa que eu nunca tinha visto antes. Quer dizer que ninguém vai ter renda financeira em três anos. Esse conflito é parte do que vimos no pânico dos mercados na quinta-feira, depois da reunião do Fed", disse ele, em entrevista ao Estado de S. Paulo.
Mendonça afirmou que os últimos dias de turbulência e quedas nos mercados ao redor do mundo e no Brasil comprovam isso. "Agora, a cada mês que passa, você vai conseguindo ter uma visão mais clara do tamanho do problema. A gente nunca passou por nada parecido e o investidor precisa ter paciência e procurar orientação de analistas experientes", disse.
Ele estimou que a retração da economia será grande, já que "não se consegue produzir e nem consumir nada e, como o Produto Interno Bruto é a soma dessa atividade, ele terá forte retração este ano".
Ao ser questionado se tinha alguma previsão otimista, Mendonça disse que "o sistema capitalista não vai acabar por causa do coronavírus" e que "as economias vão se normalizar um dia".
"Hoje, as expectativas estão depositadas na descoberta da vacina. Na hora em que ela chegar, resolve o problema. A única certeza que temos agora é que a crise é grave, o resto é dúvida", disse.
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