Meirelles volta a defender a independência do BC
Ex-presidente entre 2003 e 2010, nos dois mandatos de Lula, executivo voltou a defender a autonomia e independência da instituição que comandou; segundo ele, a polêmica sobre uma possível interferência política do Planalto na manutenção da taxa Selic na última reunião do Copom não existiria se os diretores do autoridade monetária fossem nomeados para mandatos com duração definida; dar independência e impessoalidade ao BC, diz, não só elimina boa parte das dúvidas como “despolitiza a discussão, que fica mais técnica”
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247 - Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central entre 2003 e 2010, nos dois mandatos do ex-presidente Lula, voltou a defender a autonomia e independência da instituição em artigo na Folha deste domingo (24). Segundo ele, a polêmica sobre uma possível interferência política do Planalto na manutenção da taxa Selic na última reunião do Copom não existiria se os diretores do BC fossem nomeados para mandatos com prazo definido.
“O ponto central no intenso debate sobre a decisão do BC brasileiro de manter a taxa de juros inalterada é a autonomia da instituição. A controvérsia foi resolvida de forma permanente e simples na maioria das economias relevantes via instituição da independência legal do BC – o que significa na prática que a sua diretoria terá mandatos estabelecidos por lei para cumprir os objetivos formulados pelo Executivo”, escreve.
Presidente do Conselho da holding J&F, controladora do frigrífico JBS, Meirelles argumenta que muitos países adotaram a independência da autoridade monetária em lei por uma razão é clara: embora a inflação baixa seja muito popular, medidas de combate à inflação podem ser no curto prazo impopulares. “A defasagem de tempo entre o aumento dos juros e a queda da inflação é grande. E passa muitas vezes por queda da atividade econômica, o que poucos políticos querem assumir.”
Segundo ele, o problema colocado atualmente é que o Brasil está em recessão e o desemprego cresce, fatores que em geral levam à queda da inflação ou deflação. “Mas nossa inflação é alta.”
Para Meirelles, nessa difícil conjunção, é inevitável debater se o BC deve subir mais os juros: “Economistas competentes argumentam que, com inflação e expectativa de inflação altas, o único caminho é subir os juros, o que ajuda a criar a estabilidade necessária ao crescimento. Outros economistas reputados dizem que, dada a recessão, a inflação convergirá à meta nos próximos anos.”
O economista alega ainda que não há dúvida de que é fundamental dar ao BC a capacidade de ancorar as expectativas inflacionárias e assim conter reajustes inerciais. “E aí voltamos à independência. Ela elimina eventuais desconfianças de que influência política com interesses de curto prazo impediriam o BC de tomar as medidas mais adequadas.”
Dar independência e impessoalidade ao BC, diz, não só elimina boa parte das dúvidas como despolitiza a discussão, que fica mais técnica.
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