Meirelles pode repetir Felipão na economia
Durante o governo do ex-presidente Lula, Henrique Meirelles foi presidente do Banco Central e construiu uma sólida reputação, com estabilidade econômica e mais de vinte trimestres seguidos de expansão; a tal ponto que, antes mesmo da queda de Dilma Rousseff, sua volta era defendida quase que de forma unânime, assim como aconteceu com o treinador Felipão, que havia sido pentacampeão em 2002 e retornou nos braços do povo, em 2014; com Michel Temer, no entanto, Meirelles tem sido incapaz de apresentar qualquer resultado positivo e pode ter um final semelhante ao do treinador, que, no seu retorno, ficou marcado pelo humilhante 7 a 1
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247 – O que Henrique Meirelles, hoje ministro da Fazenda, e o treinador Luis Felipe Scolari, o Felipão, têm em comum? Uma primeira passagem extremamente bem-sucedida pelas funções exercidas e uma volta desastrosa.
Com Felipão, a história é conhecida. Em 2002, em sua primeira Copa do Mundo, Scolari conquistou o pentacampeonato, vencendo todas as partidas. Depois dos fiascos do Brasil nas Copas seguintes, Felipão retornou à seleção nos braços do povo, em 2014, como uma solução quase unânime, para que tudo terminasse na mais humilhante derrota da história do futebol brasileiro: o 7 a 1 para a Alemanha, no Mineirão.
Meirelles, até recentemente, tinha uma primeira história de sucesso. Sob o comando do ex-presidente Lula, ele conseguiu, no Banco Central, criar as condições para a queda da inflação, a eliminação da dívida cambial, a expansão do crédito, a obtenção do grau de investimento e mais de vinte trimestres consecutivos de expansão da atividade econômica.
Seu desempenho foi tão positivo que pouca gente entendeu os motivos da ex-presidente Dilma Rousseff para não aproveitá-lo após sua primeira posse, em janeiro de 2011. Dois anos depois, o ex-presidente Lula já pressionava para Meirelles retornasse à equipe. Em 2014, Aécio Neves chegou a convidá-lo para ser vice-presidente e Meirelles acabou retornando à vida pública depois do golpe parlamentar de 2016, com Michel Temer.
Depois de quase cinco meses como um ministro da Fazenda de consenso, o que Meirelles tem a apresentar à sociedade? A expansão do déficit em mais de R$ 100 bilhões, o corte de 226 mil empregos com carteira assinada, uma recessão que não cessa e uma arrecadação de impostos cada vez pior, com queda de 10% em agosto (leia mais aqui).
Até agora, Meirelles tem se fiado apenas em sinais modestos de "volta da confiança", que não têm se refletido em volta de investimentos, uma vez que as empresas brasileiras trabalham com níveis de ociosidade cada vez maiores. A indústria de máquinas e equipamentos encolheu nada menos que 17% em agosto e diz viver sua maior crise em 80 anos.
Meirelles imaginava que poderia fazer, da Fazenda, uma espécie de trampolim para a presidência da República, mas o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos articuladores do golpe de 2016, já apontou que sua passagem pela economia não trará qualquer bônus eleitoral. Ao contrário, só trará desgaste.
Se antes ele poderia colocar no currículo que foi talvez o melhor presidente da história do Banco Central, sob o comando de Lula, ele poderá ter a mancha de passar pela Fazenda com os piores resultados econômicos de todos os tempos. Assim como Felipão, que foi do pentacampeonato à humilhação do 7 a 1.
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