Marcos Lisboa pergunta: qual Lula pode voltar?

Economista Marcos Lisboa, que foi assessor destacado da equipe de Antonio Palocci na primeira fase do governo Luiz Inácio Lula da Silva, pergunta qual dois Lulas estaria disposto a voltar em 2014: o liberal ou o intervencionista?

Economista Marcos Lisboa, que foi assessor destacado da equipe de Antonio Palocci na primeira fase do governo Luiz Inácio Lula da Silva, pergunta qual dois Lulas estaria disposto a voltar em 2014: o liberal ou o intervencionista?
Economista Marcos Lisboa, que foi assessor destacado da equipe de Antonio Palocci na primeira fase do governo Luiz Inácio Lula da Silva, pergunta qual dois Lulas estaria disposto a voltar em 2014: o liberal ou o intervencionista? (Foto: Leonardo Attuch)


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247 - O economista Marcos Lisboa, principal economista da primeira fase do governo Lula, quando a economia foi gerida por Antonio Palocci, levanta uma questão: caso o ex-presidente Lula decida realmente voltar, ele viria na roupagem pragmática ou intervencionista? Leia abaixo:

Quem volta?

A dúvida não é apenas a volta, mas a volta de quem, seja como fiador ou candidato. O Lula pragmático ou o intervencionista?

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A especulação sobre a possível nova candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem alimentado o debate entre analistas políticos e inquietado os mercados.

Talvez ela seja inevitável, tendo em vista a maior incerteza com relação à reeleição da presidente Dilma Rousseff, que ameaça a aliança política dominante e revela as fissuras e os conflitos intestinos de uma base aliada que dispensa oposição.

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A recente maior proeminência do fiador da presidente não reduz a incerteza sobre a condução da política econômica.

O primeiro governo Lula (2003-2006) combinava um discurso à esquerda com uma gestão econômica mais conservadora e uma intervenção social focalizada, por isso mesmo criticada à esquerda, ampliando os programas sociais introduzidos no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

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O segundo governo Lula (2007-2010), sobretudo após a crise de 2008, alterou a política econômica, resgatando o antigo nacional desenvolvimentismo, com estímulos à produção doméstica, ampliação dos empréstimos subsidiados dos bancos públicos e introdução de distorções setoriais. Esse projeto está posto em xeque pelos atuais resultados.

Atribuir o fracasso do projeto ao estilo da presidente e à execução do atual governo parece um exagero. Certamente, a gestão tem sido infeliz, e o voluntarismo em decisões apressadas não casa bem com a política, muito menos quando somado às alianças complexas do atual governo. Mas os resultados do rumo escolhido, defendido por intelectuais e organizações do setor produtivo, revelam igualmente a fragilidade do diagnóstico.

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As dificuldades econômicas eram atribuídas à falta de vontade política em enfrentar os conflitos, e as críticas recentes à política econômica seriam o resultado da opção por maior justiça social.

Entretanto, a melhora da distribuição de renda começou no governo Fernando Henrique Cardoso e continuou na década passada, sendo decorrente, sobretudo, do melhor comportamento do mercado de trabalho, agora ameaçado pelo baixo crescimento, com o apoio das políticas sociais focalizadas e do impacto do salário mínimo sobre as aposentadorias, cuja expansão esbarra na deterioração recente das contas públicas.

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O total de empregos encontra-se relativamente estável há cerca de um ano, e o baixo desemprego se beneficia da redução da fração da população no mercado de trabalho.

Além da expansão das políticas sociais, a imensa maioria delas introduzida nos governos anteriores, o foco da política pública tem sido a ampliação das proteções e subsídios para o setor produtivo na esperança de maior crescimento econômico, destacando-se as regras de conteúdo nacional, as restrições à competição externa, o crédito subsidiado e a desoneração seletiva, beneficiando o andar de cima.

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A política intervencionista, entretanto, resultou em piora da oferta de bens e serviços, agravada por controles de preços em setores específicos, reduzindo a taxa de crescimento da produtividade e a solidez de muitas empresas, inclusive públicas. Infelizmente, o baixo crescimento ameaça reverter os ganhos sociais das últimas duas décadas.

A especulação sobre a troca de candidato não deve prejudicar o debate sobre os projetos. As dificuldades econômicas à época da eleição e o pragmatismo do primeiro governo Lula resultaram no aprofundamento da política econômica iniciada na década de 1990.

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A partir da reeleição, sobretudo depois de 2008, optou-se por outro caminho, o resgate do projeto alternativo do nacional desenvolvimentismo, intervencionista, protetor do capital nacional e crescentemente antagonista do contraditório.

A dúvida não é apenas a volta, mas a volta de quem, seja como fiador ou candidato. O pragmático ou o intervencionista?

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