Mão de obra barata não gera produtividade, diz Luis Felipe Miguel

"Quando a mão de obra é vendida a preço de banana, não há incentivo para promover aumento de produtividade", diz o cientista político Luis Felipe Miguel, professor da Universidade de Brasília, ao comentar a entrada em vigor da reforma trabalhista

carteira trabalho
carteira trabalho (Foto: Leonardo Attuch)


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247 – O cientista político Luis Felipe Miguel, professor da Universidade de Brasília, publicou artigo em que contesta a tese de que a reforma trabalhista estimularia a produtividade da economia nacional.

Quanto à produtividade, convém lembrar que, embora ela seja “do trabalho”, não é determinada pelo trabalhador. É imposta pelo capital e dependente de investimento. Quando a mão de obra é vendida a preço de banana, não há incentivo para promover aumento de produtividade.

Confira, abaixo, a íntegra de seu texto no facebook:

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Em defesa do fim da legislação trabalhista, o colunista da Folha “explica”: a economia não é um jogo de soma zero. “Os empresários dão as cartas”, ele reconhece, mas isso é bom para os empregados. Afinal, a regulação da relação capital-trabalho tem que estar alinhada à produtividade do último. “Se asseguram ao trabalhador mais do que ele produz, a coisa não funciona.” Em suma, é a doutrina Ives Gandra: tem que retirar direitos para evitar um colapso nocivo a todos.

Ele tem razão: a relação entre capital e trabalho não é propriamente um jogo de soma zero. Mas isso não quer dizer que seja um jogo cooperativo em que todos ganham juntos, como diz o colunista. Basta olhar os efeitos imediatos da dita “reforma trabalhista”, em que patrões estão impondo unilateralmente condições de trabalho inacreditáveis e rebaixando vencimentos. Falar em ganha-ganha implica uma aceitação um tanto excessiva da tese do masoquismo da classe trabalhadora.

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A expressão “soma zero” indica que o que um lado ganha, o outro perde. Mas a economia capitalista é tão assimétrica que, do lado do trabalho, os ganhos são sempre menores e as perdas são sempre maiores. O capital é capaz de impor ônus ao trabalho - desemprego, privação, marginalização - que ele jamais irá sofrer. Ou seja: o capitalismo é pior que um jogo de soma zero, é um jogo de cartas marcadas. A legislação trabalhista é exatamente uma tentativa de manter tal assimetria dentro de certos limites. Quanto à produtividade, convém lembrar que, embora ela seja “do trabalho”, não é determinada pelo trabalhador. É imposta pelo capital e dependente de investimento. Quando a mão de obra é vendida a preço de banana, não há incentivo para promover aumento de produtividade.

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