Mantega: especulações sobre saída são "fofocas"
Em meio a especulações sobre sua saída do comando do Ministério Fazenda, Guido Mantega afirmou nesta quarta-feira que esses comentários são "fofocas"; para ele, "é uma irresponsabilidade" espalhar esse tipo de notícia no momento em que o FED, o banco central dos Estados Unidos, adota procedimentos que geram turbulências à economia mundial; em audiência na Câmara, ele disse também que as contas públicas estão sob controle e que o Brasil está preparado para enfrentar as turbulências do mercado financeiro internacional
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247 - Em meio a especulações sobre sua saída do comando do Ministério Fazenda, Guido Mantega afirmou nesta quarta-feira 26 que esses comentários são "fofocas". Ele participa de audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.
"São fofocas, eventuais informações sobre a minha saída", disse Mantega. Ao ser questionado por parlamentares sobre o assunto, ele acrescentou: "Se vamos dar ouvidos a fofocas, [imaginem] quantas fofocas temos ouvido sobre a saída de membros do parlamento [sem citar situações específicas]".
Para Mantega, "é uma irresponsabilidade" espalhar notícias sobre a saída ou demissão de integrantes da equipe econômica no momento em que o Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos, adota procedimentos que geram turbulências à economia mundial.
Mantega disse ainda que a economia brasileira tem solidez fiscal e financeira. Ele destacou que a inflação está sob controle e o superávit primário da União para 2013 deve ser de, pelo menos, 2,3%.
"Nos últimos dez anos, mantemos superávit acima de 3% e, em anos de crise, em torno de 2%. O superávit feito pelo Brasil é maior do que o realizado pela maioria dos países", salientou. Em maio, segundo o ministro, o superávit foi de R$6 bilhões, o maior registrado para o período na séria histórica.
De acordo com o ministro, o déficit da Previdência está sob controle. E a despesa com pessoal se mantém em torno de 4% do PIB.
Guido Mantega reforçou também que, nos últimos dois anos, o governo diminuiu juros e tornou a taxa de câmbio mais competitiva. Além disso, segundo ele, o Executivo federal implementou programa de redução de tributos para investimentos e para produção.
"Todas as medidas são para reduzir custos na economia e aumentar competitividade. Assim que vamos garantir crescimento maior da economia", afirmou. Em 2012, o crescimento do PIB brasileiro ficou em 0,9%.
Brasil está preparado para enfrentar turbulências internacionais
Ainda segundo Mantega, o Brasil está preparado para enfrentar as turbulências do mercado financeiro internacional. "Preparamos uma estratégia pra enfrentar a situação, com crescimento. E se não fosse a crise [na economia global], a nossa média de crescimento seria maior que 3,6%", disse.
O ministro da Fazenda ressaltou que a estratégia de desenvolvimento aplicada pelo Brasil, dos últimos dez anos, gerou as condições para o enfrentamento de uma crise prolongada. Os pontos fortes dessa estratégia, de acordo com o ministro, foram o crescimento mais vigoroso do PIB, que chegou a 3,6% ao ano, entre 2003 e 2012. Outro dado importante, conforme acrescentou, foi o crescimento dos investimentos, que alcançaram 6,1% ao ano, entre 2003 e 2012.
Mantega disse também que o crescimento dos investimentos está acima do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas no país. Segundo ele, há ainda o mercado interno forte, ao contrário de outros países que vivem a crise. Lembrou que a dívida pública vem se comportando, até o presente momento, em uma trajetória de queda.
"Consolidamos a solidez fiscal e financeira, com a inflação sob controle. Mas vivemos no rastro da crise da economia mundial", avaliou Mantega.
Na análise de Guido Mantega, embora a economia dos Estados Unidos tenha dado sinais de recuperação, a Europa continua com problemas. O crescimento econômico dos países emergentes também se desacelerou. Outro fator importante, lembrou, é a China, que está apresentado crescimento menor do que vinha apresentando.
"A previsão é que a China continue se desacelerando. Portanto, essa queda da economia chinesa e de outras cria um contexto de economia fraca, com crescimento fraco e incapaz de atender às necessidades. Isso significa que os países exportadores, como o Brasil, estão disputando os mercados disponíveis, acirrando a competição internacional".
O ministro observou que as recentes declarações do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, indicam redução dos estímulos monetários que vinha concedendo. "O FED, que vinha colocando trilhões de dólares, sinalizou mudanças na postura: em função disso, os títulos americanos passaram a ficar mais valorizados, levando os recurso de volta para a economia americana[que ficou mais atrativa]".
Com a mudança, informou Mantega, e os juros sinalizando melhora nos EUA, gerou-se a saída de capitais do mundo para a economia norte-americana. "Isso afeta o câmbio. Temos uma valorização do dólar e queda da moedas dos outros países. Isso afeta também as bolsas, que têm caído nas últimas semanas. Essa situação causa a turbulência que continua nos dias de hoje".
Mesmo diante deste quadro, Mantega citou – como contraponto - as previsões otimistas da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. De acordo com o ministro da Fazenda, a entidade divulgou pesquisa indicando que investidores dos Estados Unidos estão interessados em investir fortemente no Brasil nos próximos anos.
Com Agência Câmara e Agência Brasil
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