Mantega diz que sucessor terá o desafio de fazer a economia crescer
Sem dar detalhes de sua saída do cargo, Guido Mantega, da Fazenda, destacou apenas que "será um período de transição da economia, saindo de uma crise com políticas anticíclicas para um novo ciclo de expansão econômica"; ministro afirmou também que o aumento de 3% da gasolina, anunciado nesta quinta, terá impacto pequeno na inflação, de apenas 0,1 ponto percentual
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Marli Moreira - Repórter da Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira 7 que o seu sucessor terá o desafio de fazer a economia crescer em um momento de transição na economia mundial.
Sem dar detalhes de sua saída do cargo, Mantega destacou apenas que "será um período de transição da economia, saindo de uma crise com políticas anticíclicas para um novo ciclo de expansão econômica".
Ele participou, em São Paulo, de um seminário sobre política fiscal, promovido pela Fundação Getulio Vargas. Ainda sobre sua saída do Ministério da Fazenda, Guido Mantega limitou-se a dizer que o anúncio cabe à presidenta Dilma Rousseff, que deverá tratar da questão na próxima semana, após o encontro do G20, grupo que reúne países emergentes.
Aumento da gasolina terá impacto pequeno na inflação, diz ministro
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que o impacto do aumento da gasolina sobre a inflação deverá ser pequeno, apenas 0,1 ponto percentual. Ele comemorou o resultado satisfatório do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e que passou de 0,57% para 0,42% ,com variação menor em 12 meses (de 6,75% para 6,79%).
"Estamos em uma boa trajetória", avaliou Mantega. Segundo ele, problemas que afetaram a economia neste ano como a estiagem, as restrições ao crédito, os eventos como a Copa do Mundo e as eleições não deverão atrapalhar a economia no próximo ano. Diante disso com recuperação prevista das commodities (produtos primários com cotação no mercado internacional) e maior facilidade ao consumo deverão resultar em crescimento das atividades. Esses fatores tiveram alguma interferência, mas são problemas passageiros.
Para garantir o cenário mais positivo, o ministro admitiu a necessidade de corte nas despesas públicas. Ele anunciou que estão sendo estudadas medidas de corte de subsídios envolvendo o seguro desemprego, auxílio doença e pensão por morte. Só neste último caso, elas atingem algo em torno de R$ 90 bilhões. Mantega, porém, não detalhou como isso será feito.
Ao ser questionado por jornalistas sobre a meta do superavit primário para 2015, o ministro informou que o governo trabalha com um orçamento entre 2% a 2,5%. A revisão, no entanto, da proposta feita em agosto depende do levantamento fiscal de novembro para depois ser encaminhada ao Congresso Nacional.Temos que avaliar à luz do cenário mais atual", disse.
O ministro deu essas informações ao participar de um seminário na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. No encontro, ele fez uma avaliação positiva da economia, justificando que o baixo crescimento é efeito da política anticíclica por causa da crise financeira internacional de 2008, mas quando comparada a situação dos países-membros do G20, o Brasil teve uma situação mais vantajosa.
" A maioria dos países do G20 não conseguiu fazer superávit primário, nós somos um dos poucos que conseguimos manter o resultado positivo mesmo em um período de crise". Ele projeta que o resultado continuará positivo em 2015. Mantega considera que está ocorrendo um atraso na economia mundial para vencer os efeitos da crise, mas devagarinho vamos ter uma melhora.
Ele justificou que a estratégia de manter o crédito dos bancos públicos com taxas inferiores às do setor privado é apenas anticíclica. A expectativa dele é que as instituições financeiras privadas ampliem as ofertas, retirando a necessidade de uma atuação do setor público. Ao falar sobre a evolução econômica do país nos últimos anos, no seminário, ele destacou a criação de empregos, que teve aumento, passando de 66,5 milhões em 2002 para 118 milhões em 2014.
Segundo o ministro, o Brasil ainda é considerado um país de grande atratividade para investimentos, citando que eles somaram , nos últimos 12 meses, US$ 66,5 bilhões. O Brasil têm uma situação de solidez financeira com as reservas em US$ 380 bilhões.
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