Lula: jornal Valor mentiu
Ex-presidente desmente reportagem do Valor Econômico, que afirmou que ele teria sugerido a demissão do secretário do Tesouro, Arno Augustin, a troca de Guido Mantega por Henrique Meirelles e a independência do Banco Central; autor da reportagem, no entanto, publica coluna sobre "as lições de Lula que Dilma não seguiu"
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247 - O ex-presidente Lula desmentiu, em nota, reportagem do jornal Valor Econômico, dos grupos Globo e Folha, publicada ontem. Leia abaixo:
Não tem qualquer fundamento a matéria publicada no jornal Valor Econômico de hoje (19) que diz que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sugerido o afastamento do ministro Guido Mantega e a demissão do Secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Tampouco procede a informação de que o ex-presidente teria defendido a autonomia do Banco Central. Aliás, isso já foi desmentido antes.
Assessoria de Imprensa do Instituto Lula
Apesar do desmentido, um dos autores da reportagem, Cristiano Romero, publica coluna nesta quarta-feira sobre as "lições de Lula que Dilma não seguiu". "Instalada no poder, Dilma repetiu o Lula 1 nos primeiros meses. Depois, sob a justificativa de recrudescimento da crise mundial, mudou tudo. Adotou meta de juro (2% reais para 2014), tolerou inflação mais alta, restringiu a entrada de capitais, administrou o câmbio, congelou o preço da gasolina, reduziu o superávit primário, promoveu desonerações tributárias seletivas, fixou taxas de retorno de investimentos privados em concessões, propôs mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal para permitir o aumento do endividamento dos entes federados, entre outras medidas", diz ele (leia mais aqui).
Leia ainda reportagem anterior do 247 sobre o caso:
DILMA REFAZ PONTE COM PIB, MAS FOGO AMIGO CONTINUA
Discretamente, a presidente Dilma reconstrói os canais de diálogo com empresários que, supostamente, estariam rompidos com o Palácio do Planalto; ontem, por exemplo, ela teve longa reunião com Abílio Diniz, presidente da Brasil Foods; nesta terça, Benjamin Steinbruch, da CSN, publica artigo em que condena o "terrorismo fiscal" da oposição; além do diálogo, a disputa pelos aeroportos de Confins e Galeão promete ser acirrada, com a participação de grandes grupos nacionais e internacionais; não há hostilidade entre o governo e o capital privado, mas grupos de mídia, como o Valor Econômico, apostam na intriga; será essa mais uma batalha perdida?
247 - A presidente Dilma Rousseff vai muito bem nas pesquisas, conseguiu ampliar sua distância em relação aos principais oponentes (leia aqui reportagem sobre a pesquisa Ibope), mas seus inimigos internos e externos apostam que poderão torná-la mais frágil com críticas no campo econômico. Numa palestra em São Paulo, o socialista Eduardo Campos disse a concessionários de rodovias que a presidente Dilma tabelou os lucros dos empresários. O tucano Aécio Neves tem batido na tecla da deterioração das contas públicas. Além disso, determinadas alas do PT, que defendem intramuros o "Volta, Lula", disseminam a informação de que os grandes empresários estão saudosos do ex-presidente.
Nesse ambiente, nem sempre é fácil distinguir o que é real do que é, simplesmente, wishful thinking – algo que alguns gostariam que fosse verdade. Ontem, por exemplo, a presidente Dilma teve um longo e descontraído encontro com o empresário Abílio Diniz, presidente da Brasil Foods, que, segundo notas que pipocavam nos jornais, estaria rompido com ela. Nesta terça, outro peso-pesado da economia, Benjamin Steinbruch, da Companhia Siderúrgica Nacional, saiu em defesa da política econômica e publicou um lúcido artigo onde condena o "terrorismo fiscal" da oposição. Segundo ele, o que está em jogo é a disputa entre dois modelos: o nacional-desenvolvimentista e o liberal.
Steinbruch é enfático. "O país não está à beira de um desastre fiscal. É preciso avaliar o desempenho no contexto global. Quem quiser fazer comparações pode abrir a revista "The Economist", que publica estatísticas de 50 grandes economias", diz ele. "O deficit fiscal nominal brasileiro, estimado pela revista para este ano, é de 3% do PIB. Só para se ter uma ideia, relaciono alguns deficit previstos para este ano: EUA, 4%; Japão, 8%; Reino Unido, 7,2%; França, 4,1%; Espanha, 7,1%; Índia, 5,2%; Israel, 3,5%; China, 2,0%; e Argentina, 3,3%". Ele afirma ainda que as desonerações fiscais sobre a folha de pagamento – uma antiga demanda empresarial – reduziram o superávit fiscal, mas foram importantes como política de combate ao chamado Custo Brasil (leia aqui a íntegra do texto).
Esses dois nomes, Abílio Diniz, que comanda a principal empresa de alimentos do País, e Benjamin Steinbruch, barão do aço, seriam suficientes para demonstrar que Dilma não está isolada no campo econômico. A informação mais importante, no entanto, diz respeito aos leilões dos aeroportos do Galeão e Confins, que estão atraindo os operadores dos maiores aeroportos do mundo, como Heathrow e Cingapura – além de grandes grupos nacionais, como Queiroz Galvão, Ecorodovias e Odebrecht (leia mais aqui). Ou seja: o leilão será um sucesso, assim como foi também a disputa de Libra, onde, por razões geopolíticas, foi melhor organizar um grande consórcio com empresas de ponta (Petrobras, Shell e Total) e grandes consumidores (as estatais chinesas) do que simplesmente permitir uma disputa na base do quem dá mais.
Essa é a realidade. Há diálogo com empresários, como Abílio Diniz, há outros que saem em defesa da política econômica, como Benjamin Steinbruch, e grupos do Brasil e do mundo veem o País como uma grande oportunidade.
No entanto, o fogo amigo continua. O exemplo mais marcante é uma reportagem desta terça-feira do jornal Valor Econômico, onde se afirma que o ex-presidente Lula estaria cada vez mais inquieto com o distanciamento entre a presidente Dilma e o PIB nacional (leia aqui). Segundo o texto, Lula teria até sugerido três mudanças recentes para restaurar a confiança: a demissão de Guido Mantega e sua substituição por Henrique Meirelles, a queda do secretário do Tesouro, Arno Augustin, e a independência do Banco Central.
Lula sempre negou ter feito tais sugestões – e talvez tenha que continuar negando.
Mas o que pode estar em jogo é uma operação para que determinadas forças econômicas, talvez incapazes de vencer as próximas eleições, capturem o governo Dilma e imponham sua própria agenda.
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