Levy sobre impeachment: 'Quanto antes superarmos, melhor'

"Temos de acelerar a discussão sobre o impeachment. Quanto antes superarmos isso, melhor", afirmou o ministro da Fazenda em teleconferência com investidores e convidados do banco Brasil Plural; o encontro ocorreu nesta quinta à tarde, mas o áudio só foi divulgado hoje; "Estamos tomando todas as medidas possíveis e necessárias para manter a economia, mas a situação é desafiadora", comentou; Levy também disse que a economia brasileira tem potencial de recuperação em 2016

Brasília - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Brasília - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal (Antonio Cruz/Agência Brasil) (Foto: Gisele Federicce)


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Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, defendeu o encerramento rápido do debate sobre o impeachment. Na primeira declaração pública sobre o assunto, ele disse que, quanto antes forem encerradas as discussões, melhor para o país porque o governo pode prosseguir com o debate em torno da aprovação de medidas econômicas necessárias que dependem do Congresso Nacional.

"Temos de acelerar a discussão sobre o impeachment. Quanto antes superarmos isso, melhor", disse Levy em teleconferência com investidores e convidados do banco Brasil Plural. O encontro ocorreu ontem (3) à tarde, mas o áudio só foi divulgado hoje pela assessoria do Ministério da Fazenda.

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O ministro ressaltou que o país passa por um momento político "muito particular", mas defendeu que o país precisa continuar enfrentando os desafios para manter a economia. Ele lembrou da importância da recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) para reequilibrar as contas da Previdência Social no próximo ano.

"Estamos tomando todas as medidas possíveis e necessárias para manter a economia, mas a situação é desafiadora", afirmou. Ele reiterou que a CPMF é temporária para o país enfrentar um momento cíclico do impacto da recessão sobre a Previdência Social, mas disse que a seguridade social precisa de uma reforma de longo prazo.

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O ministro também defendeu que gastos com programas sociais sejam rediscutidos e ressaltou que o governo está empenhado em regularizar os atrasos nos repasses a bancos públicos, como Banco do Brasil, Caixa Econômica e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com o ministro, eventuais processos de impeachment são normais dentro da democracia. Ele lembrou que o ex-presidente norte-americano Bill Clinton enfrentou um processo semelhante. "Há alguns anos, houve discussões sobre o impeachment nos Estados Unidos, do presidente [Bill] Clinton. Temos de estar preparados para levar isso em conta. Apesar disso, há medidas importantes no Congresso e acredito que, apesar de ontem [abertura do processo de trâmite do impeachment de Dilma], temos que continuar a nos mexer. Temos que continuar indo em frente", declarou.

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Economia brasileira tem potencial de recuperação em 2016, diz Levy

Wellton Máximo – Apesar das dificuldades na retomada do crescimento, o ano de 2016 tem potencial de recuperação, disse o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Segundo ele, o governo está na direção certa, e o país mostrou, em outras ocasiões, capacidade rápida de recuperação e de lidar com problemas estruturais e políticos.

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Para Levy, grande parte da oscilação do câmbio neste ano decorre das incertezas de curto prazo, muitas delas políticas. Segundo ele, somente o enfrentamento dessas incertezas dará mais confiança ao investidor estrangeiro.

Sem entrar em detalhes, o ministro disse que as investigações de escândalos de corrupção, apesar de provocarem impacto no curto prazo, trazem benefícios para o país mais à frente. "Acredito que estamos deixando o país ainda mais atrativo aos investimentos no médio prazo. No curto prazo vamos focar nos problemas que temos agora e sairemos disso melhor do que antes", destacou o ministro.

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Levy pediu que os investidores pensem de forma mais estrutural e ressaltou que o governo está tomando medidas para melhorar a competitividade, o ambiente regulatório e dar mais segurança aos investidores, como a reforma do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Ao falar sobre como o governo conseguirá manter os gastos com educação em meio à crise econômica, o ministro disse que o governo está alcançando um fluxo sustentável de pagamentos de programas como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo ele, o governo está empenhado em atrelar a concessão de bolsas a índices de qualidade e verificar se o dinheiro está sendo gasto com eficiência.

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"Estamos convergindo para um fluxo sustentável, mas tem que ser sério em como esse dinheiro é gasto. Continuamos focados em índices de qualidade tanto dos estudantes quanto das instituições", disse Levy. "Esse é o tipo de programa que você tem de checar todo o tempo o que você está atingindo com o gasto público? Essa é cada vez mais a estratégia do governo brasileiro", acrescentou.

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