Levy e Barbosa enfrentam "fogo amigo" de ministros
Equipe econômica do segundo governo da presidente Dilma Rousseff já enfrenta disparos de "fogo amigo" de colegas de outras pastas na briga por recursos; ministros de Minas e Energia, Eduardo Braga, do Desenvolvimento, Armando Monteiro, e da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, são os primeiros a dar declarações e gestos contrários ao tom de ajuste nas contas públicas defendido Joaquim Levy, da Fazenda, e Nelson Barbosa, do Planejamento; já no PT, orientação é dar uma trégua à equipe econômica até junho
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247 - Os ministro da Fazenda , Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, estão sendo alvos de "fogo amigo" dos colegas de outros ministérios, na disputa por recursos no segundo governo da presidente Dilma Rousseff.
Em declarações e gestos, integrantes do governo deram sinais contrários ao tom de ajuste nas contas públicas defendido pela nova equipe econômica, que envolve corte de despesas e aumento de impostos.
Reportagem do jornal Estado de S. Paulo deste domingo, 11, relata que na segunda-feira à noite, quando o ministro Casa Civil, Aloízio Mercadante, fechou com Levy e Barbosa a estratégia de cortar em um terço as despesas autorizadas pelo governo, a ideia era deixar o anúncio somente para o fim da semana. Mas logo no dia seguinte ao acordo, informações com detalhes sobre o corte vazaram à imprensa.
Ao longo do dia, o Ministério do Planejamento negou que havia a iniciativa de anunciar logo as medidas. Barbosa não ficou nada satisfeito com o episódio, que saíra de seu controle. Nos bastidores do governo, o vazamento foi atribuído ao Palácio do Planalto.
O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), pressionou a área econômica para obter mais R$ 2,5 bilhões para as distribuidoras de energia. Como não haverá recursos do Tesouro, negocia-se um empréstimo de instituições financeiras federais. Mas a Fazenda, comandada por Levy, é totalmente contra esse novo empréstimo. Avalia que não há mais espaço para saídas "heterodoxas" no setor elétrico. Braga trouxe a disputa para o debate público e afirmou que tinha "aval" de Dilma para fechar um novo pacote de ajuda ao setor.
Um dia antes, o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, disse a uma plateia cheia de empresários que foram à sua posse que o equilíbrio das contas públicas não pode paralisar a agenda da competitividade – que, segundo expôs, conta com desonerações e juros subsidiados. Do contrário, alertou, o País corre o risco de continuar crescendo pouco mesmo com as contas arrumadas.
Também o ministro da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, detalhou ao Estado um programa de ampliação e aperfeiçoamento do Simples que poderá trazer uma perda de arrecadação de R$ 3,9 bilhões – a menos que o faturamento das empresas incluídas no regime aumente 4,2% ao ano. E frisou que a proposta não era dele, mas da presidente Dilma Rousseff.
No PT, porém, a ordem é dar uma trégua à equipe econômica até junho, quando o partido promoverá a segunda etapa de seu 5º Congresso, em Salvador. Trata-se de um megaencontro para atualizar o projeto petista e ninguém duvida de que ali as queixas contra a ortodoxia econômica serão escancaradas.
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