Lágrimas amargas no festim dos banqueiros

Febraban organiza jantar de fim de ano sem direito a acompanhante; hotel preferido já estava ocupado; no subsolo, salão de festas não permitia uso de celular; faltou heliponto para fugir dos alagamentos paulistanos; muxoxos e resignações ocuparam o lugar dos sorrisos rasgados de anos anteriores; Roberto Setúbal, do Itaú, Murilo Portugal, chefe da Federação, e José Luiz Acar, do Panamericano, entre outros, querem que o 2012 dos juros baixos termine o quanto antes

Lágrimas amargas no festim dos banqueiros
Lágrimas amargas no festim dos banqueiros


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

247 – "Um jantar melancólico, como o ano dos bancos". O título escolhido pelo jornal Valor Econômico para encimar reportagem sobre a festa anual dos banqueiros diz muito. Organizada pela Federação Brasileira dos Bancos, teve mais muxôxos, resignações e até piadinhas sobre o ano magro das instituições financeiras do que as gargalhadas rasgadas de anos anteriores.

"Bônus? O que é isso?", perguntava-se numa roda de altos executivos, logo no comecinho da celebração, conforme relataram Vanessa Adachi, Carolina Mandl e Felipe Marques, jornalistas do Valor. "Ninguém se lembra mais", completou o homem, "agitando o copo de uísque no ar". Deu dó?

A queda nos juros, forçada por uma série de movimentos do governo, a agressividade dos bancos públicos na concessão de crédito e captação de novos clientes e a cruzada contra taxas e tarifas escorchantes levaram os banqueiros a lucros menores em relação aos que eles se acostumaram a ter ao longo de décadas. "O ano de 2102 foi frustrante", reconheceu o presidente do Tribanco, João Ayres Rabello Filho. A instituição é o braço financeiro do grupo atacadista Martins, um dos maiores do Brasil. Ele admitiu ao Valor que, em relação a vendas, os resultados do grupo "foram os melhores em quatro anos". Mas culpou a falta de reação no crédito pelos resultados que considera magros. "Nos bancos  comerciais, este ano, os bônus serão baixíssimos, mais para retenção do que para premiação", acrescentou ele. Em tempo: para banqueiros, bônus baixíssimos podem significar dois, três, quatro ou mais salários à mais nesta época de final de ano. O simples 13º é coisa, apenas, para o trabalhador. Lá em cima é diferente.

continua após o anúncio

Famoso pelo pagamento de bônus elevados à sua diretoria, o Itaú Unibanco foi representado pelo titular do Conselho de Administração, Roberto Setúbal. Ele foi um dos últimos a chegar ao convescote, realizado no Hotel Unique. Como qualquer mortal, sofreu com os alagamentos de uma noite chuvosa em São Paulo, no trajeto entre o Jabaquara, sede do grupo, e a avenida Brigadeiro Luíz Antonio, onde fica o hotel. Lá não tem heliponto, que pena...

"O crédito deve crescer 10% a 15%" em 2013, segundo Setúbal projetou ao Valor. Com a ressalva: "Mais nos bancos públicos, com os privados crescendo também". Numa tradução livre, a frase indica que, para 2013, não se verá o Itaú Unibanco na linha de frente da concessão de empréstimos ao público.

continua após o anúncio

Estava presente, entre outros, o presidente do banco Panamericano, José Luiz Acar Pedro. Ex de Silvio Santos, que reclama ter sido passado para trás por André Esteves, titular do BTG Pactual, o Panamericano é a única unidade de negócios do próprio BTG (em sociedade com a Caixa Econômica Federal) que terá resultados fracos este ano. Mas, acredita Acar, 2013 será "um pouco melhor". Para quem conhece o BTG, melhor ele acelerar nas curvas, porque o ritmo lento de lucros sempre desperta oposição entre as dezenas de sócios minoritários de Esteves. Confusão na certa.

O anfitrião Murilo Portugal teve de caprichar para encobrir o momento. Ao longo do ano, mais de uma vez ele foi barrado em reuniões oficiais entre o governo e os banqueiros, em Brasília, em razão de sua oposição à política econômica. Ex-secretário do Tesouro no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, a escolha de Portugal para presidir a Febraban foi vista por setores do governo como uma provocação. Com efeito, o diálogo, com ele no cargo, considerado um economista ultraortodoxo, não fluiu. Isso fez com que as relações entre a área econômica e os donos das casas bancárias se tornassem ainda mais difíceis.

continua após o anúncio

Na festa, que não deu direito aos banqueiros de levarem acompanhante, num sinal de corte de curtos, Portugal chegou ao lado do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, esforçando-se para ser agradável aos representantes da administração federal. A ministra chefe do Casa Civil, Gleise Hoffmann, braço direito da presidente Dilma Rousseff, estava lá. "Era preciso reduzir o custo do crédito no Brasil", amenizava ele, sobre a determinação do governo de baixar os juros bancários. "Isso não é só nossa tarefa, mas é um tarefa com a qual estamos comprometidos", ressalvou. Para um economista nada acostumado a ter atenção às posições alheias, até que já é um começo.

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247