Ladislau Dowbor: grau de desigualdade na América Latina não permite que a economia funcione

O economista Ladislau Dowbor conversou com a TV 247 sobre as consequências da desigualdade, criticou o rentismo e afirmou que a população pobre dos dias atuais não é ingênua como antigamente. “Se você pega a América Latina, você não tem mais aqueles pobres isolados, perdidos, analfabetos que acham que se passa assim de pai para filho”, disse. Assista

Ladislau Dowbor
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247 - O economista e professor da PUC-SP Ladislau Dowbor falou à TV 247 sobre a situação econômica na América Latina e das consequências da desigualdade no continente. Ele disse ainda que os pobres atualmente já não são ingênuos quanto antigamente e têm consciência da má distribuição de riqueza.

Para Dowbor, o grau de desigualdade hoje no continente não permite que a economia funcione. “A democracia política para funcionar não pode se resumir ao voto, ela tem que servir à população de certa maneira, você tem que aproximar democracia política e democracia econômica. No caso da América Latina, o grau de desigualdade que temos não permite que as coisas funcionem, não temos mais os pobres como antigamente”.

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Como exemplo da consciência dos pobres acerca da péssima distribuição de renda, o professor contou uma passagem com um camponês em um país da África durante uma viagem. “O pobre - e isso não é só no Brasil - está de saco cheio. Isso é péssimo para as elites. Eu parei meu carro na Guiné-Bissau, país pobre da África, e fui falar com um camponês em uma estradinha de terra, ele de turbante, preto e descalço. Fui falar com ele, eu compreensivo conhecendo as condições do país, e disse: ‘as chuvas não caíram, como vocês vão fazer?’. Ele olha para mim, branco e de carro, e responde: ‘eu quero saber como vocês vão fazer’. Ele sabe que a gente depende deles. A coisa mudou, já não se fazem pobres como antigamente”.

Para o economista, não há mais a ideia entre a população pobre de que a miséria é algo natural ou comum. O pobre sabe que é possível ter uma vida melhor, acredita Dowbor. “Se você pega a América Latina você não tem mais aqueles pobres isolados, perdidos, analfabetos que acham que se passa assim de pai para filho. Eles estão sabendo que pode haver uma clínica decente para a mulher dele parir, uma escola decente para o filho estudar”.

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“Isso gera uma situação na América Latina em que você continuar a ferrar a população não está funcionando e se você, como na Venezuela, tenta nacionalizar o petróleo para ele começar a desenvolver o país, essas elites se aliam com os Estados Unidos, que querem o petróleo. Ou seja, não funciona nem com essas elites, porque elas não se comportam em termos de um capitalismo elementarmente produtivo, e não funciona quando você tenta resgatar em um programa popular que começa a organizar a inclusão porque as elites dão um golpe”, completou.

Em sua avaliação, “a partir de um certo grau de desigualdade não adianta falar em democracia”.

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