"Juros menores estão fazendo bem aos bancos"

Em entrevista ao 247, Jacques Pena, presidente do Banco Regional de Brasília, fala sobre a terceira queda nos juros da instituição; novas taxas podem ser anunciadas nesta sexta-feira; "O governo tirou os bancos da zona de conforto"

"Juros menores estão fazendo bem aos bancos"
"Juros menores estão fazendo bem aos bancos" (Foto: Edição/247)


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247 – “Sem esqueletos no armário”, como destacou em entrevista ao Brasília 247 o presidente do Banco Regional de Brasil, Jacques de Oliveira Pena, o BRB está pronto para crescer dentro do Centro-Oeste. Para tanto, a instituição está investindo na renovação e ampliação de agências, aumentando a oferta de crédito e, especialmente, baixando as taxas de juros. Uma estratégia que Pena pilota pessoalmente, atento aos movimentos do mercado. “Fomos o primeiro banco brasileiro a cumprir a orientação do governo federal para reduzir os juros”, lembra ele. “Esse movimento é saudavel para a concorrência no setor, porque tira todos da zona de conforto, e beneficia diretamente o cliente”. Ele falou sobre a portabilidade de contas e de como esse movimento mostrou ao BRB a necessidade de modernização de suas agências.

Mineiro de Caratinga, Pena é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Antes de assumir a presidência do BRB, foi secretário da Casa Civil e de Desenvolvimento Econômico do governo Agnelo Queiroz. Ele falou aos jornalistas Leonardo Attuch e João Porto, de 247. Acompanhe a entrevista:

Brasília 247 – O BRB registrou prejuízo em 2011. O que esperar de resultados para este ano?

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Jacques Pena - O que aconteceu foram operações extraordinárias que comeram os resultados do segundo semestre. Operações como a do FCVS e a das cooperativas de transporte, que foram financiadas em 2009 e prejudicaram os lucros de 2011, pois no primeiro semestre tivemos um resultado dentro do previsto. Esses problemas foram sanados. O BRB avança em 2012 sem esqueletos no armário.

– Como o banco cumpre a recomendação de queda dos juros do Banco Central?

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- Nós fomos o primeiro banco a baixar os juros, no dia seguinte a reunião do Copom, em 8 de março. Muito antes desse movimento da presidenta Dilma começar a fazer pressão para baixar os juros. Após esta última reunião do Copom (encerrada na quinta-feira 29), estamos preparando a terceira redução de juros do BRB. Baixar juros acirra a concorrência bancária, o que é bom para os próprios bancos e, claro, para os clientes.

– Essa nova política de juros vai impactar nos lucros de 2012?

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Pena - Se você for comparar resultado por resultado, neste primeiro quadrimestre a gente está cumprindo o orçamento. Se você pegar os balanços dos outros bancos, todos eles saíram da zona de conforto e fizeram muita provisão, foram muito mais agressivos no passado em carteiras como automóvel, por exemplo. Mas, voltando a falar do resultado de 2011, se compararmos o retorno sobre patrimônio liquido do BRB com o orçamento, o nosso índice de lucratividade seria de 21 a 22%. Esse ano, quando nós cumprirmos o orçamento e bater com o resultado de R$260 milhões, nós vamos entregar o resultado para o acionista em 25%. Nenhum banco terá esse retorno neste ano.

– A portabilidade de contas apresenta um risco para o BRB?

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- O primeiro movimento de migração da portabilidade que vem de dezembro a abril foi bastante pequeno e não nos causará grandes prejuízos. Com o início do processo da disputa midiática com a queda dos juros nos gera uma preocupação que teremos de observar, mas esse movimento já nos mostrou uma deficiência que ainda não tínhamos percebido.

Por exemplo, nós perdemos alguns segmentos do funcionalismo com o nível salarial muito alto. Isso mostra que a segmentação de carteiras para certos nichos de clientes, que consomem seis ou mais produtos, esse cliente exige um nível de atendimento que nossas agências ainda não estão preparadas para dar.

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Desde o ano passado, nós estamos desenvolvendo um novo modelo de atendimento para esse tipo de cliente. Neste ano, decidimos investir um recurso de cerca de R$ 30 milhões para reformar um grande número de agências, para ter espaços para atender esse cliente alta renda do setor público estadual e federal.

– Além desse investimento em melhorias nas agências, o BRB tem investido em outros setores?

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Pena – Temos um problema grave na nossa tecnologia. Os investimentos não realizados em tecnologia no BRB nos últimos anos deixaram a estrutura bastante defasada. A diretoria do banco preparou investimentos razoáveis, se tratando de BRB, no quadriênio 2011-2014. O aporte de recursos nessa área será na casa de R$ 200 milhões.

247 – Como o senhor vê o crescimento do BRB nos próximos anos?

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Pena - Somos um banco que tem tradição na área de crédito rural e estamos acelerando bastante na nesta área e no ramo de crédito imobiliário. É impossível pensar o BRB em longo prazo com a estrutura de geração de receita focada 50% no serviço público. É preciso pensar em uma estrutura e focar em pessoas jurídicas e adquirir pessoas jurídicas dessas empresas. Nós temos tudo isso, mas em um volume ainda muito pequeno.

247 – Essa expansão será feita de que forma?

Pena - Nós somos o único banco público exclusivo do Centro-Oeste. Temos agência em Cuiabá, Campo Grande, Anápolis, Goiânia e nas cidades do entorno. No médio e longo prazo, queremos crescer no Centro-Oeste. Nossa estratégia em crescer de pessoa jurídica passa por isso. O crescimento da nossa carteira jurídica passa por essas cidades e pela administração do FDCO.

247 – O BRB pretende participar do fundo de investimentos em infraestrutura?

Pena – Sim. Nós temos um esforço de ter a compreensão e o reconhecimento do Governo Federal de sermos o banco gestor ou um dos operadores do FDCO. Em breve o governo baixará uma medida provisória definindo o funcionamento desse fundo que será dedicado para obras de infraestrutura.  Recursos que vão ser passados para o setor privado ou em parcerias público-privada.

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