Jucá ainda atua como ministro oculto do Planejamento

Embora tenha sido defenestrado do Ministério do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR) ainda despacha como ministro informal da pasta; foi ele quem articulou a ampliação da Desvinculação de Receitas da União, aprovada nesta madrugada

Senador Romero Jucá (PMDB-RR) concede entrevista. Foto: Ana Volpe/Agência Senado
Senador Romero Jucá (PMDB-RR) concede entrevista. Foto: Ana Volpe/Agência Senado (Foto: Leonardo Attuch)


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247 – Embora tenha sido defenestrado do Ministério do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR) ainda despacha como ministro informal da pasta; foi ele quem articulou a ampliação da Desvinculação de Receitas da União, aprovada nesta madrugada.

Leia, abaixo, nota de Natuza Nery a respeito:

O ministro oculto Mesmo fora do Ministério do Planejamento há dez dias, o senador Romero Jucá segue atuando como integrante do primeiro escalão do governo. Frequenta o gabinete de Michel Temer e despacha com seus principais ministros. Na terça, reuniu-se com Henrique Meirelles (Fazenda) para discutir o teto dos gastos públicos e a ampliação da DRU (Desvinculação das Receitas da União). Foi dele ainda a sugestão de ter o tucano Aloysio Nunes como líder do governo no Senado.

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Leia, ainda, reportagem da Agência Brasil sobre a DRU:

Câmara aprova em primeiro turno PEC que prorroga DRU até 2023

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Luciano Nascimento, da Agência Brasil

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou em primeiro turno, na madrugada de hoje (2), a proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 31 de dezembro de 2023. Foram 334 votos a favor, 90 contra e duas abstenções,  A PEC eleva de 20% para 30% o percentual que pode ser remanejado da receita de todos os impostos e contribuições sociais federais. Também cria mecanismo semelhante para estados, municípios e o Distrito Federal.

A DRU dá ao governo o direito de  usar livremente receitas obtidas com impostos e contribuições que, obrigatoriamente, deveriam ser alocados em determinadas áreas.  Esta autorização do Congresso (DRU) para remanejamento de receitas venceu em 31 de dezembro de 2015.

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Na votação desta madrugada, os deputados aprovaram o texto  do relator, Laudivio Carvalho (SD-MG), em substituição à proposta encaminhada pela presidenta afastada Dilma Rousseff. O substitutivo do relator aumenta o percentual de desvinculação para 30% e estende o prazo da DRU de 2019 para 2023. A medida também retroage a validade das mudanças para o dia 1º de janeiro.

As alterações na proposta original do governo sofreram criticas de parlamentares da base aliada e da oposição. O líder do Psol, Ivan Valente (SP), disse que a desvinculação seria passar um cheque em branco ao governo do presidente interino Michel Temer. “Estamos dando um cheque em branco para se operar o Orçamento, definir prioridades, deslocar recursos e, principalmente, nessa proposta o objetivo numero um é fazer superávit primario para pagar juros da dívida pública”, disse Valente.

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O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) criticou o aumento de percentual para 30% e disse que a medida vai retirar recursos da Seguridade social. “O que estão fazendo na calada da noite é surrupiar os recursos da seguridade. Era 20% da DRU e agora vão levar 30%, um aumento de 50% e depois vão dizer que não tem dinheiro prara pagar aposentado e pensionista. Era para justificar a reforma da Previdência. Vai comprometer de morte a seguridade social", afirmou.

O deputado André Figueiredo (PDT-CE) afirmou que, se o percentual for aprovado definitivamente, vai representar uma perda de R$ 120 bilhões para a seguridade. “Além de aumentar o precentual para 30%, ainda aumentamos o prazo para 2023. Já demos um cheque em branco ao aprovar um déficit fiscal de R$ 170 bilhões e agora querem dar outro cheque com essa proposta”, disse.

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Com a aprovação em primeiro turno, a ideia do governo agora é levar o texto à análise do plenário da Câmara já na semana que vem, para votação em segundo turno.

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