Itaú muda regras para Setubal ficar presidente

Plano de governança corporativa é alterado exclusivamente para controlador permanecer no cargo; queda no lucro de 2012 em relação a 2011 está entre os fatores que forçaram a permanência do filho do fundador da instituição; executivo Marcos Lisboa perde cadeira na área de Controles Internos

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247 - Num gesto que não estava no radar do mercado financeiro, a Itaú Unibanco Holding resolveu mudar suas próprias regras de governança corporativa para um único personagem: Roberto Setubal. Com aposentadoria marcada para o próximo ano, ele acaba de conseguir mais dois anos no cargo, numa iniciativa que deverá ser referendada pelo Conselho de Administração da instituição. Aos 58 anos de idade, Setubal ficará à frente do Itaú Unibanco até os 62 anos, caso não haja outra mudança. No ano passado, o banco da família Setubal registrou lucro 5,1% inferior ao período anterior. Acredita-se que a desconfirmação da saída de Setubal em 2015, como ele próprio previra, sob garantias de que os planos de governança corporativa da instituição não seriam alterados, está diretamente ligada ao mau resultado. Além disso, no momento ele próprio promove uma ampla reestruturação na cúpula da instituição.

Abaixo, notícia sobre outras mudanças no Itaú Unibanco distribuida pela Reuters. O despacho aponta para a mudança na regra da aposentadoria interna, informando, porém, de que ela seria válida apenas para o próximo presidente da instituição, o que não se confirmou:

Reuters - O Itaú Unibanco anunciou nesta quarta-feira a saída do vice-presidente Marcos Lisboa em meio a uma reformulação no comando que também prepara o terreno para a sucessão na presidência hoje exercida por Roberto Setubal.

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Em comunicado, o maior banco privado da América Latina informou que as mudanças pretendem simplificar a "estrutura da organização, com o objetivo de dar maior agilidade às decisões, além de promover ganhos de eficiência, unificando áreas de negócios e de suporte."

Lisboa, que foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e presidente do Instituto de Resseguros do Brasil era do Unibanco, antes da fusão com o Itaú, no fim de 2008.

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"Lisboa recebeu o convite para voltar à vida acadêmica e ficará no cargo até 15 de março", afirmou o banco no comunicado.

A área de controles internos, que estava sob comando de Lisboa, será acumulada por Eduardo Vassimon, que recentemente retorna ao grupo assumindo como vice-presidente da área de riscos.

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Marco Bonomi, o vice-presidente responsável pela área de banco de varejo, passa a acumular a área de micro e pequenas empresas, que estava sob o guarda-chuva de José Roberto Haym. Este passa a ser responsável pelo segmento de médias empresas, integrando o comitê executivo do banco de Atacado, reportando-se a Candido Bracher.

As mudanças, que reduzem o número de vice-presidências de 10 para nove, dão sequência a um movimento iniciado no fim de 2012, com a saída de outro vice-presidente, Sergio Werlang, então responsável pela área de riscos.

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Marcio Schettini, vice-presidente responsável pela área de Cartões e pela Redecard, passa a acumular as áreas de Seguros, Veículos e Crédito Imobiliário.

Caio Ibrahim David, que era diretor da área de finanças, e Claudia Politanski, responsável pela área jurídica, passam a ser vice-presidentes.

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Segundo fontes com conhecimento do assunto, Setubal vinha mostrando descontentamento com os resultados recentes do grupo em áreas como seguros, controle de riscos, o que em parte impediu o banco de alcançar metas de ganho de eficiência prometidos há cerca de um ano e meio a investidores.

Como noticiou a Reuters em janeiro, outras mudanças já estavam previstas para acontecer após a saída de Werlang.

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No começo do mês, o banco anunciou que seu lucro líquido de 2012 recuou 5,1 por cento ante o ano anterior, refletindo em parte o baixo crescimento do crédito e despesas elevadas com provisões para perdas com calotes.

O Conselho de Administração do banco também vai propor elevar a idade máxima de aposentadoria do presidente-executivo da instituição, dos atuais 60 para 62 anos.

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No entanto, a nova regra só valerá para o próximo presidente. Setubal deixará o cargo no ano que vem, quando completará 60 anos. Nos dois anos seguintes ocupará a presidência da holding, companhia aberta que controla todas as empresas do conglomerado.

De acordo com o banco, as decisões foram tomadas em conjunto por Setubal e pelo presidente do conselho, Pedro Moreira Salles.

(Reportagem de Aluisio Alves)

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